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Por que a mente falha ao prever placares de futebol?

Estudo de economia comportamental mostra que atalhos mentais e vieses intuitivos fazem o torcedor ignorar as estatísticas reais na Copa do Mundo.

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Imagem ilustrativa da notícia Por que a mente falha ao prever placares de futebol? camera Estudo de economia comportamental mostra que atalhos mentais e vieses intuitivos fazem o torcedor ignorar as estatísticas reais na Copa do Mundo. | Reprodução

Tentar adivinhar o placar da próxima partida da Seleção Brasileira é um hábito quase inevitável em ano de Copa do Mundo. No entanto, a ciência alerta: a intuição humana é uma péssima aliada na hora de cravar resultados. De acordo com um artigo do pesquisador Armenio Pérez Martínez, publicado na plataforma The Conversation Brasil, os mecanismos cerebrais ativam "atalhos mentais" que sabotam o raciocínio lógico e reduzem drasticamente as chances de acerto.

O fenômeno é explicado pela economia comportamental — campo interdisciplinar entre a economia e a psicologia que estuda o quão irracionais podem ser as decisões humanas. Diante de cenários complexos, o cérebro prefere respostas rápidas e espontâneas a análises estatísticas frias.

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O mito do empate óbvio

Para demonstrar como a lógica falha, o estudo cita uma pesquisa sobre o equilíbrio no futebol. Quando questionados sobre o resultado de um jogo entre duas equipes com a mesma pontuação, 68,2% dos entrevistados apostaram em um empate. A resposta parece racional, mas confronta a realidade dos números:

• Estatística real: Um levantamento histórico com quase 15 mil partidas da Liga Espanhola revelou que apenas 26,7% dos confrontos terminaram empatados.

• Placares frequentes: Em dados históricos de Copas do Mundo, as vitórias magras dominam o topo: 1 a 0 (18,8%), 2 a 1 (14,5%) e 2 a 0 (11%). O empate por 1 a 1 aparece em apenas 9,8% dos casos.

O cenário muda quando novos dados são inseridos. Se uma das equipes empatadas vem de uma sequência invicta (duas vitórias e três empates) e a outra oscilou (três vitórias e duas derrotas), a percepção de empate despenca para 19,7%. A maioria passa a apostar na vitória do time invicto, superestimando o retrospecto recente em detrimento da probabilidade matemática.

Os 5 vieses que sabotam o torcedor

O psicólogo Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, explicava que o cérebro utiliza heurísticas (atalhos mentais) e sofre com vieses cognitivos (falhas de processamento por limitação de capacidade). No futebol, os vieses mais comuns que distorcem as previsões são:

• Mão quente: A crença de que uma sequência de vitórias ou derrotas de uma seleção vai durar para sempre.

• Excesso de otimismo: Confiança cega e injustificada no triunfo do próprio time, ignorando os riscos.

• Representatividade: Escolher o vencedor por afinidade ou "peso da camisa", e não pela probabilidade real.

• Números pequenos: Tirar conclusões precipitadas e formular palpites com base em pouquíssimos jogos assistidos.

• Superinferência: Assumir que um resultado é totalmente impossível de acontecer apenas porque nunca ocorreu antes.

Em suma, ao desenhar os cenários do mata-mata, o torcedor comum prefere ser guiado pelo calor do momento e pelo acaso. O pensamento intuitivo, por ser mais veloz e atraente, acaba atropelando o pensamento puramente racional.

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