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DO MARKETING AO AMOR

Dia dos Namorados brasileiro nasceu como estratégia de marketing

Criada na década de 1940, data uniu a fama de Santo Antônio à necessidade de aquecer as vendas no comércio em junho.

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Imagem ilustrativa da notícia Dia dos Namorados brasileiro nasceu como estratégia de marketing camera Criada na década de 1940, data uniu a fama de Santo Antônio à necessidade de aquecer as vendas no comércio em junho. | Reprodução IA

Diferente do que ocorre na maior parte do mundo, onde o romantismo dita as origens históricas, o Dia dos Namorados no Brasil surgiu de uma certeira estratégia de marketing. Na década de 1940, o comércio varejista enfrentava um problema crônico de faturamento: o longo período de vendas fracas que se estendia logo após o Dia das Mães e ia até a chegada do Dia dos Pais.

Para tentar aquecer o mercado, a rede de lojas Clipper contratou o publicitário João Doria (pai do ex-governador de São Paulo). A ideia foi simples e direta: instituir uma nova data comemorativa em que os casais trocassem presentes, replicando a lógica de consumo do mês de maio. A campanha publicitária estourou em sucesso e um dos slogans mais marcantes da época decretava: "Não é só com beijos que se prova o amor."

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Por que 12 de junho e a carona no "santo casamenteiro"?

A escolha do dia 12 de junho foi cirúrgica e combinou conveniência comercial com apelo religioso para garantir a aceitação cultural da população:

• Véspera de Santo Antônio: O dia foi escolhido por anteceder o dia 13 de junho, data em que a Igreja Católica celebra Santo Antônio. Como ele já era imensamente popular no Brasil sob a fama de "santo casamenteiro", a proximidade facilitou a aderência ao novo hábito.

• Fuga do Carnaval: Muitos países celebram o amor no dia 14 de fevereiro, o Valentine's Day (Dia de São Valentim). O Brasil descartou a data internacional porque ela costuma coincidir com o Carnaval ou com os preparativos da festa, período que por si só já movimenta intensamente a economia nacional.

O impacto bilionário no varejo nacional

Décadas após a sua criação, a data consolidou-se como um dos pilares do faturamento do varejo brasileiro, posicionando-se atrás apenas do Natal e do Dia das Mães em volume de vendas em diversos setores.

Os segmentos que registram os maiores picos de consumo e faturamento no período englobam:

• Presentes tradicionais: Floriculturas, chocolaterias, joalherias, perfumarias e lojas de vestuário.

• Serviços e experiências: Restaurantes (que registram reservas esgotadas com dias de antecedência), hotéis, pousadas com pacotes românticos e aplicativos de entrega de refeições.

A lenda estrangeira: Enquanto o Brasil se ancorou no marketing e em Santo Antônio, o resto do mundo segue a lenda de São Valentim. O bispo romano foi executado após desafiar as ordens do imperador Cláudio II e realizar casamentos às escondidas para soldados, tornando-se o símbolo global dos apaixonados.

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