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Papa Leão XIV condena uso de IA na guerra em sua primeira encíclica

Intitulado "Magnifica Humanitas", o documento papal de 43 mil palavras pede regulação urgente contra a automação de decisões letais e a perda de empregos.

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Imagem ilustrativa da notícia Papa Leão XIV condena uso de IA na guerra em sua primeira encíclica camera Intitulado "Magnifica Humanitas", o documento papal de 43 mil palavras pede regulação urgente contra a automação de decisões letais e a perda de empregos. | Reprodução

O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) a primeira encíclica de seu pontificado, intitulada "Magnifica Humanitas" (Magnífica Humanidade). Com quase 43 mil palavras, o documento oficial da Igreja Católica aborda de forma crítica o avanço acelerado da inteligência artificial, o ressurgimento de conflitos globais e os impactos da automação nos direitos trabalhistas.

No texto, o pontífice defende que o desenvolvimento tecnológico precisa ser rigidamente governado em prol do bem comum, sugerindo inclusive uma desaceleração na adoção dessas tecnologias. O posicionamento firme do Papa sobre regulação internacional já é visto por analistas como um potencial ponto de atrito diplomático com a agenda econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Restrições éticas e o perigo das "guerras híbridas"

O trecho mais contundente da encíclica trata da aplicação da inteligência artificial no setor de defesa e segurança internacional. Leão XIV alertou que a revolução digital está alterando a dinâmica dos conflitos mundiais, abrindo margem para ciberataques e campanhas de desinformação em massa.

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"Não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais", sentenciou o líder da Igreja Católica.

Segundo o Papa, a automação de decisões estratégicas corre o risco de "normalizar a guerra", diluir responsabilidades humanas e reduzir o inimigo a meras estatísticas ou "danos colaterais". Ele também teceu duras críticas ao crescimento do complexo militar-industrial e ao enfraquecimento do multilateralismo político.

Monopólio tecnológico e direitos dos trabalhadores

A encíclica dedica uma seção detalhada aos impactos socioeconômicos da tecnologia. O Papa manifestou preocupação com o fato de os principais motores da IA estarem concentrados nas mãos de grandes corporações transnacionais privadas, o que escapa da supervisão pública e aprofunda as desigualdades globais.

Os principais pontos de alerta social levantados pelo pontífice foram:

• Mercado de Trabalho: A busca por lucros corporativos não pode justificar a demissão em massa provocada pela automação e pela robótica. A preservação do emprego humano deve ser a regra geral.

• Fim do Livre Mercado Absoluto: O texto afirma que não é mais possível confiar apenas na "mão invisível" do mercado para regular a economia digital, exigindo uma forte cooperação internacional para proteger os países mais vulneráveis.

• Crise da Verdade: O Papa alertou que modelos de negócios focados em monetizar a atenção e espalhar desinformação corroem a democracia, afirmando que "a indiferença à verdade leva a uma descida ao totalitarismo".

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