A corrida pela conexão definitiva entre a mente humana e as máquinas acaba de ganhar um capítulo revolucionário que promete deixar para trás os métodos invasivos de Elon Musk.
A Science Corp., startup avaliada em R$ 7,5 bilhões e fundada por Max Hodak — ex-braço direito de Musk na Neuralink —, prepara-se para iniciar os primeiros testes em humanos de uma interface cérebro-computador (BCI) radicalmente diferente: um sensor biohíbrido que utiliza células vivas para "conversar" com o organismo.
Para capitanear essa nova fronteira, a empresa recrutou o dr. Murat Günel, chefe de neurocirurgia da Yale Medical School. A estratégia de Günel e Hodak foge do convencional. Enquanto outras empresas do setor inserem eletrodos de metal que perfuram o tecido cerebral — correndo o risco de causar inflamações e cicatrizes — a Science Corp. aposta em um dispositivo do tamanho de uma ervilha que repousa sobre a superfície do cérebro, sem invadi-lo.
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O segredo está na biologia. O sensor contém 520 eletrodos integrados a neurônios cultivados em laboratório.
Essas células funcionam como uma ponte natural, traduzindo sinais eletrônicos em pulsos de luz que o cérebro humano reconhece organicamente. Em 2024, a tecnologia já provou eficácia em camundongos, ativando circuitos neurais sem danos colaterais.
Do Parkinson à visão restaurada
O impacto clínico dessa abordagem pode ser sísmico. No caso do Mal de Parkinson, a interface biohíbrida não pretende apenas mascarar tremores, mas interromper a progressão da doença ao proteger e restaurar circuitos danificados.
O sistema também abre portas para o monitoramento contínuo de tumores cerebrais, alertando médicos sobre riscos iminentes de convulsões antes mesmo que os sintomas apareçam.

O projeto mais maduro da companhia, batizado de PRIMA, foca na restauração da visão para pacientes com degeneração macular. O dispositivo já avançou por fases clínicas críticas e a expectativa é que chegue ao mercado europeu ainda em 2026.
Apesar do entusiasmo e do aporte de US$ 230 milhões, o dr. Günel prega cautela. A equipe de 30 pesquisadores ainda enfrenta o desafio técnico de padronizar a produção de células biológicas em escala médica.
Segundo o neurocirurgião, devido ao rigor dos comitês de ética, testes em larga escala devem ocorrer apenas a partir de 2027. O foco imediato, portanto, reside em pacientes que já passarão por cirurgias cranianas, como vítimas de AVC, para validar a segurança desse sensor que promete ser o elo mais sutil — e potente — entre a carne e o silício.
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