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CONVIVÊNCIA E CUIDADOS

Alzheimer: professor divide experiências com a mãe em livro

Mãe de Maurício Sérgio Bittencourt também trabalhou como professora, antes do Alzheimer.

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Imagem ilustrativa da notícia Alzheimer: professor divide experiências com a mãe em livro camera Maurício Sérgio Bittencourt aborda uma experiência íntima e pessoal em seu livro sobre idoso com doença de Alzheimer. | Divulgação

O professor universitário e pesquisador Maurício Sérgio Bittencourt fez de uma experiência íntima e pessoal, de muito amor e cuidado, o substrato para seu primeiro livro. “Diário de uma Família com Idoso com Doença de Alzheimer” tem como personagem central a mãe dele, que trabalhou como professora, pedagoga e supervisora de escola, antes do Alzheimer, e a rotina da família em torno dela.

Ele conta que sua intenção ao abordar o tema foi mostrar, de forma simples, uma nova perspectiva para quem lida com esse tipo de situação. “A publicação reuniu nove anos de cuidados com a minha mãe, Maria da Penha Araújo Bittencourt, de 93 anos, conhecida carinhosamente como Tia Penha’, de 2011 até 2020, até ela se mudar para João Pessoa (PB), onde mora com o filho mais velho”, conta.

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Formado em Educação Física há mais de 30 anos, Maurício é mestre e coordenador do Bacharelado em Educação Física da Universidade da Amazônia (Unama), além de atuar como técnico de Polo Aquático do Clube do Remo e do Pará. Ele quis aplicar toda essa experiência não só na prática, em casa, mas também compartilhar conhecimento.

“Foram muitas experiências e leituras para entender o processo que ocorre de degeneração pela doença de Alzheimer (DA). Fiz muitas postagens nas redes sociais, de como eu agia com ela no dia a dia, tanto com exercícios como com relação à adequação de espaços, rotina na casa. Isso me levou a pensar que um livro poderia ajudar muitas pessoas a compreender e agir com seus idosos, pois tem-se a ideia de que o idoso não consegue mais produzir nada, só ver TV e acabou. A nova concepção de vida está mudando. Em 2050, a expectativa de vida do brasileiro será de 82 anos, você imagina o que esses idosos estarão fazendo?” .

PESQUISA

Maurício conta que aplicou a experiência acadêmica ao planejamento de ações com a mãe. “Li sobre as fases do Alzheimer, sobre psicologia, sobre as inteligências e cognição, sobre socialização e idosos, sobre novos tratamentos da medicina e medicina alternativa, sobre exercícios físicos na terceira idade”, enumera.

Muitos hábitos considerados normais com relação aos idosos precisam ser observados com mais cuidado, aponta ele. “Começo o livro falando sobre o jargão ‘coisas de velho’. Lembro que sempre ouvia isso, que os mais velhos sempre esquecem das coisas, o que nem sempre pode servir de justificativa quando se trata de DA. E o esquecimento, nesse caso, passa a ser o primeiro sintoma”, descreve.

Depois de notar o primeiro sintoma, Maurício passou a observar outros em seguida. “A falta de discernimento, diminuição do humor com muita irritação, principalmente à noite (a chamada Síndrome do Pôr do Sol), momento que os idosos com DA ficam desorientados com a perda de luz natural. Vi muitas vezes mamãe acordar de madrugada e ficar cantando e dançando na sala, sem saber que horas eram. Por isso é importante compreender e ter um cuidador próximo, que ajude a proteger o idoso, pois uma ida ao banheiro ou cozinha de madrugada pode causar um acidente, com choques, quedas, etc”, observa ele.

Pessoalmente, no início, saber da doença foi desnorteador para a família, recorda o professor. “A notícia foi amarga. Tenho um irmão que ficou desolado. Dizia para ele que não poderia ficar com o sentimento de negação, pois essa proteção só geraria estresse para ambos”, lembra.

Para Maurício, vivenciar tudo envolveu também dores. “Eu, que tantas vezes ensinei alunos, passar a ensinar minha mãe a ter autonomia e qualidade de vida não foi fácil. Lembro que em muitos momentos escrevia e chorava no teclado do notebook. Com certeza foi o meu maior desafio enquanto filho e professor”, diz.

SEM MÁGICA

Ser criativo fez parte do processo. “Sair de cena como filho para virar professor foi complicado, mas um dos sucessos foi teatralizar momentos para que ela não percebesse que estava fazendo exercícios. Eu inventava situações para fazer e acontecer”, conta o professor, que conta tudo da forma mais acessível possível no livro.

“Considero a obra de utilidade pública, pois tanto um professor quanto um leigo compreenderão. Advirto no livro: cuidado com informações nas redes sociais sobre tratamentos. Já vi muita gente deixar tratamentos sérios por conta de que viu no WhatsApp”, pondera ele. “A maior vitória foi ver a minha mãe com qualidade de vida, sorrindo!”, afirma ele, que já está em fase de pesquisa da segunda edição sobre o tema, numa publicação que ele descreve como mais acadêmica, científica e com muita estratégia de ação dos exercícios físicos, de inteligência e cognição.

Serviço:

“Diário de uma família com idoso com doença de Alzheimer”, de Maurício Sérgio Bittencourt

Quanto: R$ 97

Onde: www.sook.com.br

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