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LANÇAMENTO LITERÁRIO

Romance “Marajó", de Dalcídio Jurandir, ganha nova edição da IOEPA

Obra do Ciclo do Extremo Norte, lançada em cerimônia no Theatro Waldemar Henrique, destaca memória, cultura marajoara e respeito ao escritor paraense.

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Imagem ilustrativa da notícia Romance “Marajó", de Dalcídio Jurandir, ganha nova edição da IOEPA camera O romance "Marajó", de Dalcídio Jurandir, ganhou nova edição pela IOEPA em lançamento realizado no Theatro Waldemar Henrique, em Belém. | Divulgação

Algumas obras não envelhecem: amadurecem junto com o tempo, ganhando novas camadas de leitura a cada reencontro com o público. Em regiões marcadas por disputas territoriais, desigualdades históricas e identidades múltiplas, a literatura assume um papel que vai além da estética, funcionando como registro social, denúncia e preservação da memória coletiva.

É nesse território simbólico que se insere o relançamento de "Marajó", romance de Dalcídio Jurandir, apresentado ao público na noite da última quarta-feira (28), no Theatro Waldemar Henrique, em Belém. Publicada pela Imprensa Oficial do Estado do Pará (IOEPA), a obra integra o consagrado Ciclo do Extremo Norte e representa o segundo título do projeto editorial dedicado a reeditar integralmente a produção do escritor marajoara.

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Considerado um dos grandes clássicos da literatura amazônica, "Marajó" retrata com olhar crítico e sensível a vida na Ilha do Marajó, expondo as tensões sociais, econômicas e políticas que moldaram a região ao longo do século XX. A narrativa se constrói a partir do contraste entre os chamados "senhores" - grandes latifundiários, simbolizados por personagens como o Coronel Coutinho - e os "pobres", grupo formado por trabalhadores rurais, pescadores e roceiros submetidos a relações de exploração e exclusão.

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NOVA EDIÇÃO REVISADA

Paulo Maués durante sessão de autógrafos no lançamento da nova edição de "Marajó", romance de Dalcídio Jurandir, no Theatro Waldemar Henrique.
📷 Paulo Maués durante sessão de autógrafos no lançamento da nova edição de "Marajó", romance de Dalcídio Jurandir, no Theatro Waldemar Henrique. |Divulgação

O romance integra uma ambiciosa construção literária de Dalcídio Jurandir, que ao longo de dez livros traçou um amplo painel da Amazônia, abordando paisagens, afetos, conflitos de classe e dinâmicas de poder. O primeiro título relançado pela IOEPA foi "Chove nos Campos de Cachoeira", apresentado ao público durante a Feira do Livro do ano passado, marcando o início do projeto conduzido pela Editora Pública Dalcídio Jurandir, que já publicou mais de 200 obras de autores paraenses.

A nova edição de "Marajó" passou pela revisão e edição do professor e escritor Paulo Maués, que também assinou a sessão de autógrafos durante o evento. Para ele, o relançamento cumpre uma função essencial de democratização do acesso à literatura. "Essa sexta edição de 'Marajó' é muito significativa porque expressa nossa história e nossa cultura. É fundamental que esteja disponível para as novas gerações de leitores, especialmente em um momento em que discutir território, desigualdade e identidade continua sendo urgente", destacou.

REALISMO SOCIAL E ORALIDADE REGIONAL

Nascido em Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó, em 1909, Dalcídio Jurandir é reconhecido como um dos mais importantes nomes da literatura brasileira produzida na Amazônia. Sua obra se caracteriza pelo realismo social, pela linguagem marcada pela oralidade regional e pela construção de personagens profundamente enraizados no cotidiano amazônico. Entre seus títulos mais conhecidos estão "Chove nos Campos de Cachoeira", "Marajó", "Três Casas e um Rio" e "Belém do Grão Pará".

O reconhecimento da importância histórica e cultural do escritor foi oficialmente consolidado em maio do ano passado, quando sua obra foi declarada patrimônio cultural e artístico de natureza imaterial do Pará. A Lei nº 10.967, sancionada pelo governador Helder Barbalho e publicada no Diário Oficial do Estado, reafirma o papel de Dalcídio Jurandir como referência fundamental da cultura paraense.

A SINGULARIDADE DA OBRA

Para Roberto Pereira, neto do escritor, "Marajó" ocupa um lugar singular dentro do conjunto da obra. "Por se tratar de um romance quase documentário, talvez seja o livro que reúna a maior diversidade de informações sobre a cultura marajoara. Ele aborda as relações de poder, a questão da terra, dos latifúndios, dos excluídos. Ao trazer à tona temas que ainda hoje estão em debate, o romance valoriza a memória de Dalcídio e da própria sociedade marajoara", afirmou.

ESPETÁCULO TEATRAL

A noite de lançamento também foi marcada pelo diálogo entre literatura e teatro. Antes da apresentação do livro, o público acompanhou o espetáculo "Solo de Marajó", adaptação da obra encenada por Cláudio Barros, com direção de Alberto Silva Neto e criação do Grupo USINA de Teatro. A performance reforçou a atualidade do texto de Dalcídio e sua potência para além do suporte literário.

CONVIDADO ESPECIAL

Jorge Panzera, presidente da Imprensa Oficial do Estado do Pará, recebeu escritores, pesquisadores e representantes das letras paraense e nacional durante o lançamento da nova edição de "Marajó".
📷 Jorge Panzera, presidente da Imprensa Oficial do Estado do Pará, recebeu escritores, pesquisadores e representantes das letras paraense e nacional durante o lançamento da nova edição de "Marajó". |Divulgação

O evento contou ainda com a presença de Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, instituição vinculada ao Ministério da Cultura e responsável pela guarda do acervo de Dalcídio Jurandir, no Rio de Janeiro. O conjunto documental inclui cartas, manuscritos, documentos originais e uma coleção bibliográfica dedicada ao autor, além de estudos e homenagens que reforçam sua relevância no cenário literário nacional.

"Temos muito orgulho de preservar o acervo de Dalcídio Jurandir ao lado de outros cerca de 150 escritores brasileiros. A parceria com a Imprensa Oficial do Estado do Pará, por meio da Editora Pública Dalcídio Jurandir, tem repercutido nacionalmente pela qualidade dos livros produzidos. Espero que possamos aprofundar ainda mais essa colaboração para ampliar a divulgação da literatura amazônica, que é vasta e diversa", ressaltou Santini.

CICLO EXTREMO NORTE

Com o lançamento de "Marajó", a IOEPA reafirma o compromisso de reeditar todos os livros do Ciclo do Extremo Norte. Segundo o presidente da Imprensa Oficial do Estado, Jorge Panzera, o cronograma já está em andamento. "Três Casas e um Rio" e "Belém do Grão Pará" já estão contratados e devem ser lançados ainda neste primeiro semestre. Além disso, temos uma carta de intenções assinada com a família do escritor para os outros seis títulos. A expectativa é concluir os dez livros do ciclo, garantindo que toda a obra de Dalcídio Jurandir esteja novamente acessível ao público”, concluiu.

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