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HISTÓRIAS DA AMAZÔNIA

Professora troca a sala de aula pelo cacau e encontra novo propósito de vida

Após décadas dedicadas à educação, ela trocou o quadro pela amêndoas de cacau, conquistou prêmios e hoje se prepara para levar o chocolate amazônico ao mundo

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Imagem ilustrativa da notícia Professora troca a sala de aula pelo cacau e encontra novo propósito de vida camera A história de dona Verônica Preuss começa longe do cheiro do cacau e do sabor intenso do chocolate. | (Cristiano Pantoja)

A história de dona Verônica Preuss começa longe do cheiro do cacau e do sabor intenso do chocolate. Natural de Santa Catarina, construiu a própria trajetória entre cadernos, salas de aulas e o compromisso com a educação. Mas foi no Pará, precisamente em Brasil Novo, às margens da Transamazônica, que sua vida tomou um rumo inesperado, e profundamente transformador.

Ela chegou ao estado no ano de 2000, junto com a família, carregando sonhos e a disposição de recomeçar. Na época, a realidade era desafiadora: faltavam escolas estruturadas e profissionais para atender a comunidade. Foi ali que dona Verônica e o marido, José Preuss, também professor, se tornaram múltiplos em sala de aula. "Naquele tempo, a gente dava várias matérias. Eu chegava a ensinar cinco disciplinas, e meu marido mais cinco", relembra.

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A edução foi o primeiro alicerce da família na região. Ambos se formaram em matemática e seguiram contribuindo com o desenvolvimento local. Mas paralelamente à vida como educadodores, outro caminho começava a surgir, ainda tímido, no sítio da família.

Foi em 2009 que o cacau entrou, de fato na família Preuss.

O plantio começou como uma alternativa, quase experimental. Aos poucos, no entanto, o cultivo foi ganhando força e significado. José, marido de dona Verônica, mergulhou em estudos, pesquisando técnicas, aprimorando processos e apostando, desde o início, na qualidade.

Diferente de muitos produtores, ele nunca trabalhou com cacau sem fermentação, apostando em um padrão mais elevado desde o princípio. Era o inicío de um trabalho cuidadoso, que anos depois renderia reconhecimento nacional.

Mas o chocolate ainda estava distante

Foi apenas em 2019 que dona Verônica teve contato com a primeira melanger, equipamento essencial para transformar o cacau em chocolate fino. A descoberta marcou uma virada definitiva.

A produção de cacau já ultrapassou fronteiras: a primeira exportação, ainda que pequena, foi realizada para o Paraguai
📷 A produção de cacau já ultrapassou fronteiras: a primeira exportação, ainda que pequena, foi realizada para o Paraguai |(Cristiano Pantoja)

O nascimento de uma nova profissão

A pandemia, que trouxe incertezas para tantos brasileiros, acabou sendo o impulso que faltava para a família dar um salto.

Em 2020, dona Verônica fez o primeiro curso de chocolateria. No mesmo ano, abriu oficialmente a empresa. Já em 2021, veio o segundo curso, seguido do lançamento dos primeiros chocolates no mercado.

O que parecia arriscado se revelou uma aposta certeira. "Eu achei que não ia evoluir, mas foi completamente o contrário", conta a empreendedora.

Melhor amêndoa de cacau do Brasil
📷 Melhor amêndoa de cacau do Brasil |(Cristiano Pantoja)

No mesmo ano em que entrou de vez no universo do chocolate, veio uma conquista surpreendente: o prêmio de melhor amêndoa de cacau do Brasil, um reconhecimento que colocou o trabalho da família em destaque.

A partir daí, o crescimento foi consistente. Em 2022, dona Verônica foi eleita a melhor empreendedora rural do Pará, conquistando o primeiro lugar estadual e regional, além do segundo lugar na etapa nacional.

Do sítio para o mundo

Hoje, o sítio, que começou como uma alternativa, se transformou em um negócio sólido e promissor. A produção de cacau já ultrapassou fronteiras: a primeira exportação, ainda que pequena, foi realizada para o Paraguai.

O chocolate, por sua vez, começa a ganhar espaço nas feiras, eventos e programas de incentivo. Parte dessa evolução contou com o apoio de projetos como a ATeG, que ajudaram a aprimorar técnicas e fortalecer o que a família já havia construindo com dedicação. Mas, para ela, o diferencial sempre esteve dentro de casa. "Foi uma forma de complementar aquilo que já sabia. Meu marido estuda muito, pesquisa muito. A gente sempre correu atrás", afirma.

"Hoje eu sou só do chocolate. E sou muito feliz com essa escolha"

A decisão de deixar a carreria na educação não foi simples. Foram anos de dedicação à sala de aula. Mas, em 2021, dona Verônica encerrou oficialmente esse ciclo para se dedicar integralmente ao cacau e ao chocolate.

Hoje, ela fala com brilho nos olhos sobre a nova profissão, construída com coragem, estudo e resiliência. Mais do que produzir chocolate, dona Verônica ajuda a transformar realidades. Desde o início, ela esteve envolvida com grupos de mulheres da região, incentivando o trabalho coletivo, o aprendizado e a valorização do cacau como fonte de renda e identidade.

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Sua trajetória é um retrato do empreendedorismo amazônico: feito de raízes profundas, desafios constantes e uma capacidade admirável de reinvenção. Do giz ao cacau, da sala de aula ao mercado internacional, dona Verônica prova que nunca é tarde para recomeçar, e que, às vezes, os caminhos mais doces surgem justamente das mudanças mais corajosas.

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