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TEATRO

Espetáculo inspirado em obra de Aílton Krenak estreia em Belém

Espetáculo indígena chega à CAIXA Cultural neste mês de junho.

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Imagem ilustrativa da notícia Espetáculo inspirado em obra de Aílton Krenak estreia em Belém camera Em cena, Yumo interpreta a si mesmo: um homem do povo Apurinã que, evangelizado na infância, reconstrói sua relação com a ancestralidade. | Divulgação / Dalton Valério

Existe uma pergunta que não cabe em um único idioma. Ela habita o espaço entre mundos e é justamente essa pergunta que um espetáculo teatral leva ao palco da CAIXA Cultural Belém em junho de 2026.

O espetáculo "Ideias para adiar o fim do mundo" ocorre nos dias 17, 18, 20 e 21 de junho de 2026 na CAIXA Cultural Belém a partir do questionamento: Somos mesmo uma humanidade? A peça é uma criação do diretor e dramaturgo João Bernardo Caldeira e tem inspiração direta no livro homônimo do escritor e líder indígena Ailton Krenak.

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Além disso, a montagem conta com a participação do ator indígena Yumo Apurinã, que integra também a construção dramatúrgica do espetáculo. As sessões ocorrem às 19h nas quartas, quintas, sábados e domingos.

No dia 20 de junho, há ainda uma sessão extra às 16h. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), e a venda começa já neste sábado (6) pelo site do espaço cultural.

Da pergunta de Krenak ao palco paraense

A pergunta "Somos mesmo uma humanidade?" é o ponto de partida da obra de Ailton Krenak e também o fio condutor do espetáculo.

A peça aborda a formação do Brasil, os impactos da colonização e os desafios históricos dos povos indígenas. Além disso, ela propõe outras formas de compreender a relação entre humanidade e natureza.

Para João Bernardo Caldeira, levar o espetáculo à capital paraense tem peso simbólico.

"Trazer a peça para a Amazônia tem um significado especial porque muitas das questões presentes na obra de Krenak atravessam diretamente este território", afirma o diretor.

Além disso, ele destaca que a montagem convida o público a "reflorestar os imaginários" com que o Brasil é pensado, para que outras narrativas sobre o país sejam possíveis.

Yumo Apurinã: um corpo que não cabe nos estereótipos

Em cena, Yumo interpreta a si mesmo: um homem do povo Apurinã que, evangelizado na infância, reconstrói sua relação com a ancestralidade.

Ele nasceu em Rondônia e mora na região Sudeste, o que o coloca em constante trânsito entre diferentes mundos.

Por isso, o ator leva ao palco experiências marcadas por deslocamentos e pelo peso dos estereótipos sobre os povos indígenas no Brasil contemporâneo.

"Meu corpo não corresponde ao 'índio' do imaginário da cidade, mas também não caibo em outras classificações", diz Yumo.

No entanto, ele afirma que o pertencimento é o que o orienta: "Sei de onde vim, onde estou e penso meu futuro a partir disso", completa o ator, que se identifica como Pupỹkary Apurinã.

Silêncios históricos e mundos apagados

A peça percorre episódios da história brasileira que ainda produzem efeitos no presente.

Um deles é o fato de que, até a Constituição de 1988, os povos indígenas eram tutelados pelo Estado e considerados relativamente incapazes perante a lei brasileira.

Assim, a montagem evidencia como uma única narrativa sobre o Brasil se tornou dominante à custa do silenciamento de outros mundos.

"Muitos mundos precisaram ser silenciados para que uma única narrativa sobre o Brasil se tornasse dominante", diz Caldeira.

Por isso, a peça aproxima o público de experiências, memórias e saberes que ajudam a compreender a complexidade da formação histórica do país.

Além disso, o diretor conecta a crise ambiental a uma crise de imaginação: "Reflorestar os imaginários é abrir caminho para outras narrativas sobre quem somos."

Antes de chegar a Belém, o espetáculo já percorreu diferentes cidades e festivais. Entre os destaques da trajetória da peça estão:

  • Temporadas com ingressos esgotados no Rio de Janeiro;
  • Participação no Festival Interculturalidades, em Niterói, e no Festival Amir Haddad;
  • Circulação pelas unidades da CAIXA Cultural em São Paulo, Curitiba, Belém e Brasília;
  • Participação na programação do Dia da Justiça Climática durante a COP 30, em Belém, em 2025.

Encontro gratuito com Márcia Kambeba

A temporada inclui ainda a atividade gratuita "Histórias para adiar o fim", no dia 20 de junho, às 16h. O encontro reúne Yumo Apurinã e a escritora, poeta, geógrafa e ativista indígena Márcia Kambeba.

Ela nasceu no Amazonas e é radicada no Pará, além de ser uma das principais vozes indígenas da literatura brasileira contemporânea.

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Portanto, a conversa promete ampliar o debate sobre arte, território, ancestralidade e os caminhos que os povos indígenas abrem para o futuro do país.

Serviço - Ideias para adiar o fim do mundo

  • Local: CAIXA Cultural Belém (Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto - Porto Futuro II);
  • Datas: 17, 18, 20 e 21 de junho de 2026;
  • Horários: 19h (quarta, quinta, sábado e domingo) e 16h (sessão extra no domingo, dia 20);
  • Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), com venda a partir de 6 de junho.
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