Uma marca de cosméticos que fatura mais de R$ 1 bilhão por ano dificilmente passaria despercebida, tanto no mercado quando por autoridades. Este foi o ponto de partida para uma reportagem e uma investigação mais profunda.
A revista Piauí publicou, nesta terça-feira (2), uma reportagem assinada pelos jornalistas João Batista Jr. e Alessandra Medina. O texto expõe supostas conexões entre a WePink, marca de cosméticos de Virginia Fonseca, e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, o texto aponta que Virginia está na mira de uma investigação da Polícia Federal.
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Segundo a publicação, a WePink tem raízes em outro negócio: a Pink Lash, rede de estética fundada em 2017, em São Paulo, pelo casal Samara Martins e Thiago Stabile.
Esses dois são hoje sócios de Virginia na marca de cosméticos. Portanto, a história da WePink começa antes da entrada da influenciadora no negócio.
A mulher conhecida como "Japa do PCC"
O ponto mais sensível da reportagem envolve Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida pelo apelido de "Japa do PCC". Em entrevista à Piauí, ela confirmou ter investido R$ 800 mil na abertura da primeira unidade da Pink Lash.
Esse valor, segundo ela, veio da venda de um carro pertencente ao marido à época. O marido em questão era Wagner Ferreira da Silva, de apelido "Cabelo Duro", que já é falecido.
As autoridades o identificaram como liderança do PCC na Baixada Santista. Assim, a origem do capital inicial da Pink Lash passou a ter contornos investigados.
A revista descreve ainda que Mori participou ativamente da operação da Pink Lash nos primeiros anos, pois ela teria mantido relação próxima com Samara e Thiago.
No entanto, a sociedade foi encerrada antes que o trio avançasse para criar a WePink, ao lado de Virginia e do empresário chinês Chaopeng Tan.
O que Virginia disse sobre Karen Mori?
A equipe da Piauí procurou Virginia Fonseca para que ela se posicionasse sobre o assunto. A influenciadora confirmou ter conhecido Karen Mori em eventos ligados à Pink Lash.
Porém, foi direta em sua resposta:
- Disse não associar pessoas a possíveis envolvimentos de terceiros apenas por relações comerciais;
- Afirmou confiar nos sócios e não ter tido razões para desconfiar deles.
Vale lembrar que a WePink atingiu faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025. Isso coloca a marca entre os negócios mais relevantes do segmento de beleza no Brasil.
Polícia Federal e o Coaf na mira da investigação
A reportagem vai além da origem societária da empresa. Segundo a Piauí, Virginia também está sob investigação da Polícia Federal.
O ponto de partida são Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Os relatórios identificaram movimentações consideradas atípicas em contas ligadas a Virginia e a empresas do seu grupo, incluindo a WePink. A investigação, portanto, busca apurar:
- A legalidade das operações financeiras realizadas.
- A origem dos recursos movimentados;
- A eventual prática de crimes fiscais ou de lavagem de dinheiro.
Um elemento específico chamou atenção dos investigadores: o volume de transferências originadas pela AMP Pay Marketing e Negócios.
A empresa é enquadrada no Simples Nacional, regime tributário voltado a micro e pequenas empresas. Contudo, os valores movimentados foram considerados incompatíveis com esse enquadramento.
Defesa nega irregularidades
Os advogados de Virginia reagiram à reportagem com uma nota de negação. Segundo a defesa, os valores mencionados correspondem ao pagamento de cachês por campanhas publicitárias regularmente contratadas.
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Além disso, os advogados afirmaram que não há qualquer irregularidade nas operações investigadas. Já a Polícia Federal e o Coaf não se manifestaram publicamente sobre o caso.
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