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PURAKÊ

Gaby Amarantos busca identidade amazônica em 2º álbum

Novo trabalho tem produção de Jaloo e chega às plataformas nesta quinta-feira (2)

quinta-feira, 02/09/2021, 19:30 - Atualizado em 02/09/2021, 19:30 - Autor: Wal Sarges/Diário do Pará

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Gaby revisita as raízes em novo trabalho
Gaby revisita as raízes em novo trabalho | Rodolfo Magalhães

Eletrizante. É o que promete a cantora Gaby Amarantos em seu novo álbum, “Purakê”, que surge nove anos após o lançamento de “Treme” (2012).

Em treze faixas, a artista traz muitas participações especiais, além de um “feat da vida”, como ela chama as parcerias feitas na música “Última Lágrima”, que reuniu Elza Soares, Alcione e Dona Onete.

A produção musical é de Jaloo, e “Purakê” está disponível a partir das 19h de hoje, nas principais plataformas de música e no canal de Gaby no YouTube.


“É um dos momentos mais importantes da minha carreira, porque o segundo álbum é superesperado e desde o ‘Treme’ eu era muito cobrada, mas em nenhum momento cedi a essa cobrança. Quero exaltar o talento de Jaloo, que além de cantor é produtor e diretor musical desse álbum. Ele é um ‘geniozinho’ que traduziu essa sonoridade junto comigo e com toda uma equipe maravilhosa. Vai valer a pena esse tempo todo que o público ficou esperando, porque a minha música é uma coisa muito especial pra mim, e tudo foi preparado com muito capricho e muito amor”, diz. 

O álbum propõe uma nova sonoridade, em uma Amazônia futurista, a partir do próprio olhar da artista.

Ela conta que todo o processo de composição e produção musical foi feito durante uma imersão criativa, dentro de um barco, no rio Tapajós.

“Eu, Jaloo e Lucas Estrela pegamos um barco e fomos para o meio do rio Arapiuns [afluente do Tapajós], no meio da Floresta Amazônica, pra gente falar dessa nova Amazônia e desse novo som. A gente mergulhou nessa floresta para mostrar para as pessoas o que é que tem além do que já foi proposto no ‘Treme’. A gente propõe essa atmosfera afro-indígena, que busca pensar nesse lugar para além do estereótipo”, destaca Gaby. 

Sobre os estilos musicais, ela diz nem saber que nomenclatura usar para classificar as músicas do disco.


“Tem uma música que chama ‘Opará’, um feat com a maravilhosa Luedji Luna. A gente vai propor para as pessoas pensarem que estilo a música traz e o que é essa Amazônia que está no futuro, e nesse novo som que a gente quer propor, a partir do nosso ponto de vista, da gente que é desse lugar. A gente é tecnobrega, mas é música do futuro. A gente vem com muita coragem e muita autenticidade, sempre conectados com a essência”, diz.

A construção visual também é parte importante do novo projeto, trabalho que ficou a cargo de outra equipe de paraenses - Fabrício Neves, no figurino, e nas artes visuais, Labo Young, Lucas Gouvêa e Wellington Romário. “São três artistas visuais da periferia de Belém. Eles fazem parte de um movimento muito importante que está acontecendo no nosso estado. Toda essa concepção, desde o figurino de [música] ‘Vênus em Escorpião’, onde a gente usa roupas com folhagens... O Labo está ativo em várias revistas internacionais. O Lucas está desenvolvendo todo o conceito visual do álbum. Então, tudo o que eu faço, o que eu respiro em visual, esses meninos estão envolvidos junto com o Gareth Jones, que é o meu diretor criativo”, destaca ela. 

O projeto foi desenhado para que cada música chegue com uma concepção própria às redes. “São clipes visuais, lyric vídeos, com identidade visual e com elementos específicos. Cada um é diferente do outro. Tudo isso foi desenhado pelo artista Luan Zumbi e animado pelo Lucas Gouvêa com direção criativa do Gareth Jones”, adianta.

TRIBUTO AO NORTE E ÀS MULHERES QUE VIERAM ANTES

Um pouco do conceito visual que Gaby espera entregar ao seu público em “Purakê” pôde ser visto há duas semanas, quando ela lançou o clipe de “Amor Pra Recordar”. O vídeo parte do imaginário amazônico – com a representação da samaumeira e do simbolismo da cultura de povos quilombolas - para homenagear mulheres ribeirinhas do Norte do Brasil.

A música tem a participação de Liniker, que também está no clipe. O vídeo ainda conta com as presenças de Davi, filho de Gaby, da irmã e da sobrinha dela. “Foi muito emocionante porque é um registro da minha família que ficará para sempre. A gente gravava, chorava, se arrepiava inteiro. É para lembrar que a gente é ser humano e se emociona, que devemos equalizar o luto, mas com amor e com poesia”, reflete.


“Para mim, o mais importante é mostrar a mulher ribeirinha para esse outro Brasil que não conhece o país a fundo, que não sabe quem são essas mulheres. Talvez eu fosse aquela mulher que não conseguiu seguir a carreira e que fez a passagem porque não teve ninguém para ajudar o sonho dela se realizar”, reitera. 

Além de Elza Soares, Alcione e Dona Onete, a paraense contou com outros nomes consagrados em participações especiais no disco, como Ney Matogrosso, e nomes de destaque na nova música brasileira como Potyguara Bardo, Luedji Luna e Urias, além de Liniker, sem deixar suas raízes de lado. Junto a Dona Onete e Jaloo, ainda tem feats com Leona Vingativa e Viviane Batidão. 

Mas é ao falar sobre a tríade com que divide “Última Lágrima”, música que abre o álbum, que Gaby se derrete. “São minhas três deusas. Elza também tem essa história de cantar essa dor e ela canta de um lugar de tanta vivência. Tem aquela voz de Dona Onete que é minha deusa do Pará. Juntar essas vozes incríveis, para mim, é realmente dar para o Brasil um presente por ter esse patrimônio cultural. Esse feat quer fazer lembrar que a gente tem de respeitar as mulheres mais velhas, que pavimentaram muito a estrada para que nós agora pudéssemos passar”, ressalta.

OUÇA 

“Purakê” - Gaby Amarantos 

Quando: Lançamento hoje, às 19h. 

Onde: linktr.ee/GabyAmarantos

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/Gaby contou com participações especialíssimas, como Liniker, Elza Soares, Dona Onete e Alcione
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