A Copa do Mundo de 2010 representava mais uma oportunidade para o Brasil ampliar sua hegemonia no futebol mundial. Disputado pela primeira vez em solo africano, o torneio encontrou uma Seleção Brasileira confiante após os títulos da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009. Sob o comando de Dunga, a equipe apostava em um estilo de jogo pragmático, baseado na solidez defensiva e na eficiência dos contra-ataques. No entanto, após uma campanha consistente nas fases iniciais, a caminhada rumo ao hexacampeonato terminou de forma amarga diante da Holanda.
A preparação para a Copa do Mundo foi cercada por debates sobre a lista de convocados. Parte da imprensa e dos torcedores defendia a presença dos jovens Neymar e Paulo Henrique Ganso, destaques do futebol brasileiro naquele ano. Dunga, porém, manteve sua filosofia e apostou em jogadores mais experientes e alinhados ao modelo de jogo que vinha sendo desenvolvido desde o início do ciclo.
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Na estreia, em 15 de junho, no Ellis Park, em Joanesburgo, o Brasil encontrou dificuldades para superar a retranca da Coreia do Norte. Após um primeiro tempo travado, a equipe venceu por 2 a 1, com gols de Maicon e Elano. A atuação melhorou na segunda rodada. No Soccer City, também em Joanesburgo, a Seleção derrotou a Costa do Marfim por 3 a 1, em uma das melhores exibições da equipe na competição. Luís Fabiano marcou duas vezes e Elano completou o placar.
Já classificado, o Brasil empatou sem gols com Portugal na última rodada da fase de grupos. O resultado garantiu a liderança do Grupo G e manteve a invencibilidade da equipe na competição. Nas oitavas de final, a Seleção apresentou seu futebol mais convincente ao enfrentar o Chile. Com autoridade, venceu por 3 a 0, com gols de Juan, Luís Fabiano e Robinho, avançando para as quartas de final e aumentando a confiança para o duelo contra a Holanda.
A virada e a queda para a Holanda
O confronto diante dos holandeses, no Estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth, parecia caminhar de forma favorável ao Brasil. Logo aos 10 minutos do primeiro tempo, Robinho abriu o placar após bela jogada coletiva. Durante toda a etapa inicial, a equipe brasileira dominou as ações, criou oportunidades e pouco sofreu defensivamente. Aos oito minutos do segundo tempo, um cruzamento de Wesley Sneijder provocou uma falha incomum da defesa brasileira.
O goleiro Julio Cesar e Felipe Melo se chocaram na área, e a bola acabou entrando após leve desvio do volante, decretando o empate holandês. A virada veio apenas seis minutos depois. Em cobrança de escanteio, Sneijder apareceu livre na área e cabeceou para as redes, surpreendendo a defesa brasileira e colocando a Holanda em vantagem. A situação ficou ainda mais complicada quando Felipe Melo foi expulso aos 20 minutos da etapa final após cometer falta dura em Arjen Robben.
O sonho adiado
Com um jogador a menos e emocionalmente abalado, o Brasil encontrou dificuldades para reagir. Apesar da pressão nos minutos finais, a Seleção não conseguiu evitar a derrota por 2 a 1. O resultado selou mais uma eliminação brasileira em quartas de final e encerrou precocemente a campanha na primeira Copa do Mundo realizada no continente africano. A derrota para a Holanda marcou o fim de um ciclo comandado por Dunga e deixou a sensação de que a equipe, embora eficiente e competitiva, não conseguiu manter o equilíbrio nos momentos decisivos.
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