Desde o último final de semana, com o Paysandu dando total ênfase na recuperação judicial, conforme informação divulgada com exclusividade pelo DOL, o clube está em “stay period” — mecanismo que suspende por 180 dias todas as ações e execuções de dívidas contra o clube. Durante esse prazo, a diretoria terá até 60 dias para apresentar um plano detalhado de pagamento aos credores.
Na última sexta-feira (20), o Tribunal de Justiça do Pará aprovou o pedido de recuperação judicial do clube, permitindo que o Papão reorganize suas finanças sob supervisão da Justiça e suspenda temporariamente cobranças e execuções. De acordo com o processo, o Paysandu possui 126 credores, entre pessoas físicas e jurídicas, e acumula uma dívida superior a R$ 71 milhões.
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O maior débito é com a União, que ultrapassa R$ 50 milhões. O clube também deve R$ 3,44 milhões ao Município de Belém e R$ 1,47 milhão ao Estado do Pará, evidenciando a dimensão do passivo fiscal. Entre os nomes listados, chama atenção o do ex-presidente Roger Aguilera, que tem R$ 12,3 milhões a receber. O valor é classificado como crédito quirografário — ou seja, uma dívida comum, sem garantias reais — referente a empréstimos realizados ao clube durante sua gestão.
Diferentemente das dívidas trabalhistas, esse tipo de crédito não possui prioridade em caso de pagamento, ficando sujeito às condições estabelecidas no plano de recuperação judicial. Para a torcida bicolor, a situação gera preocupação, mas também a expectativa de que, com reorganização administrativa e responsabilidade na gestão, o Paysandu consiga reduzir o passivo milionário e preservar sua tradição centenária no futebol brasileiro.
Dívidas trabalhistas
A lista de credores inclui ainda ex-jogadores que acionaram o clube na Justiça por pendências salariais e direitos trabalhistas. Entre eles:
- Matheus Nogueira (goleiro, 2023 a 2025): R$ 386.236,10
- Maurício Garcez: R$ 266.546,08
- Marlon: R$ 180.000,00
- Maurício Antônio: R$ 88.658,38
- Marcelinho: R$ 119.999,98
Atletas que ainda integram o elenco também aparecem na relação:
- Edílson (lateral): R$ 117.000,00
- Gabriel Mesquita (goleiro): R$ 102.511,40
Além disso, órgãos públicos como a Secretaria Executiva de Esporte e Lazer constam entre os credores, com cerca de R$ 356 mil a receber.
Desafio dentro e fora de campo
O cenário revela um clube pressionado por dívidas fiscais, trabalhistas e financeiras, ao mesmo tempo em que tenta manter a competitividade esportiva. A recuperação judicial surge como alternativa para renegociar débitos, estruturar um plano de pagamento e buscar equilíbrio nas contas.
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