Os REEVs, veículos elétricos de autonomia estendida, estão mudando a maneira como os consumidores utilizam carros eletrificados. Embora tenham um motor a gasolina, esses modelos são conduzidos como veículos elétricos na maior parte do tempo, já que a tração é feita exclusivamente pelo motor elétrico. Com baterias maiores, alguns modelos conseguem superar 400 km de autonomia elétrica e permitem que o motorista passe semanas ou até meses sem abastecer.
A tecnologia vem ganhando força principalmente na China e começa a conquistar espaço no Brasil. A evolução das baterias transformou o perfil dos REEVs: se os primeiros modelos dependiam com frequência do motor a combustão para gerar energia, os veículos mais recentes conseguem realizar boa parte dos deslocamentos cotidianos apenas com a eletricidade armazenada.
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O QUE É UM REEV?

A sigla REEV vem de Range Extended Electric Vehicle, ou veículo elétrico de autonomia estendida. O sistema combina uma bateria recarregável com um motor a combustão, mas cada componente possui uma função diferente.
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Nos REEVs, as rodas são movimentadas exclusivamente pelo motor elétrico. O propulsor a gasolina não transmite força diretamente para o sistema de tração. Sua função é acionar um gerador que produz eletricidade quando a carga da bateria chega a determinado nível.
Na prática, o motorista tem uma experiência semelhante à de um carro 100% elétrico durante a maior parte da condução. O motor a gasolina permanece desligado enquanto existe energia suficiente na bateria e só entra em funcionamento quando o sistema precisa manter uma reserva de carga.
REEV É DIFERENTE DO HÍBRIDO PLUG-IN

Apesar de ambos utilizarem bateria recarregável e motor a combustão, o REEV possui uma arquitetura diferente dos híbridos plug-in convencionais, conhecidos como PHEVs.
Nos PHEVs, o motor elétrico e o motor a combustão podem participar diretamente da movimentação das rodas. O sistema pode alternar entre os propulsores ou utilizar os dois simultaneamente, dependendo das condições de condução.
No REEV, isso não acontece. O motor a combustão não movimenta diretamente o veículo. Ele funciona como um gerador de energia para a bateria. Essa diferença faz com que a experiência de condução de um REEV seja predominantemente elétrica, mesmo quando o motor a gasolina está ligado para produzir eletricidade.
BATERIAS MAIORES MUDARAM A TECNOLOGIA
A principal transformação dos REEVs ocorreu com o aumento da capacidade das baterias. Os primeiros modelos tinham baterias relativamente pequenas, geralmente capazes de proporcionar pouco mais de 100 km de condução elétrica. Nos últimos dois anos, porém, fabricantes chineses passaram a investir em conjuntos de baterias cada vez maiores.
Atualmente, já existem REEVs com baterias superiores a 70 kWh e autonomia elétrica acima de 400 km pelo ciclo chinês CLTC. Números desse tipo, até pouco tempo atrás, estavam associados principalmente aos carros totalmente elétricos. A mudança alterou também o comportamento dos proprietários.
Segundo levantamento citado pela imprensa chinesa, mais de 90% dos donos de REEVs utilizam os veículos como se fossem carros totalmente elétricos. Cerca de 70% afirmam abastecer menos de uma vez a cada seis meses.
Isso significa que, para muitos usuários, o motor a gasolina passou a ser uma espécie de recurso de emergência para viagens longas, permanecendo desligado durante a maior parte do uso cotidiano.
POR QUE USAR GASOLINA SE A BATERIA JÁ TEM TANTA AUTONOMIA?

A permanência do motor a combustão nos REEVs está diretamente relacionada ao comportamento dos consumidores. Mesmo com a expansão da infraestrutura de recarga e o aumento da autonomia dos veículos elétricos, muitos motoristas ainda têm receio de depender exclusivamente de carregadores durante viagens longas.
O gerador a gasolina funciona, nesse cenário, como uma espécie de seguro. Quando a bateria chega ao limite programado, o motor entra em funcionamento para produzir eletricidade e permitir que o veículo continue rodando. A solução reduz a preocupação com a autonomia em deslocamentos de longa distância sem transformar o motor a combustão no responsável pela tração.
A TECNOLOGIA TAMBÉM TEM DESVANTAGENS
A arquitetura REEV não é unanimidade dentro da indústria automotiva. Com baterias capazes de proporcionar mais de 400 km de autonomia elétrica, alguns executivos defendem que seria mais eficiente investir diretamente em veículos totalmente elétricos. A retirada do motor a combustão poderia reduzir peso, complexidade mecânica e custos de fabricação.
Além disso, quando o gerador a gasolina é acionado, existe uma perda de eficiência decorrente das sucessivas conversões de energia: o combustível é transformado em eletricidade, que posteriormente alimenta o motor elétrico.
O funcionamento do gerador também eleva o consumo de combustível e acrescenta ruído à experiência de condução, algo que não ocorre quando o veículo utiliza exclusivamente a energia armazenada na bateria.
TESTE DE 1.000 KM MOSTROU COMPORTAMENTO DE CARRO ELÉTRICO
Uma avaliação prática ajuda a explicar como os REEVs funcionam no dia a dia. Durante um teste de aproximadamente 1.000 km com o Leapmotor C10 REEV, realizado pelo Motor1 Brasil, o SUV apresentou comportamento semelhante ao de um carro elétrico enquanto havia carga suficiente na bateria.
Nessa condição, o veículo manteve a condução silenciosa, a resposta imediata característica dos motores elétricos e boa eficiência energética, enquanto o propulsor a gasolina permaneceu desligado.
Quando a bateria atingiu o nível mínimo estabelecido pelo sistema, o motor a gasolina foi acionado para alimentar o gerador e preservar uma reserva de energia. Mesmo nesse momento, a tração continuou sendo exclusivamente elétrica. A diferença é que o sistema passou a apresentar as perdas decorrentes da conversão da energia do combustível em eletricidade e, posteriormente, em movimento.
Na prática, isso significa maior consumo de combustível, aumento do ruído e eficiência inferior à observada quando a bateria possui uma reserva maior. Ainda assim, a tecnologia cumpre sua principal promessa: permitir que o motorista continue a viagem sem precisar procurar imediatamente um carregador.
REEV COMEÇA A GANHAR ESPAÇO NO BRASIL
A China continua sendo o principal mercado para o desenvolvimento e a expansão dos veículos elétricos de autonomia estendida, mas o Brasil começa a receber novos modelos com essa tecnologia.
O Leapmotor C10 REEV já está disponível no mercado brasileiro. A marca também prepara a chegada do B10 REEV, enquanto a GAC confirmou o lançamento do i60 utilizando a mesma arquitetura.
A possibilidade de produção nacional de modelos REEV é outro indicativo de que a tecnologia pode ganhar importância no mercado brasileiro nos próximos anos.
TECNOLOGIA TENTA UNIR DOIS MUNDOS
O avanço dos REEVs mostra que a eletrificação dos automóveis não está necessariamente limitada à divisão entre carros elétricos e híbridos tradicionais. De um lado, o motorista tem a experiência de condução de um veículo elétrico, com tração silenciosa e resposta imediata. Do outro, conta com um gerador a combustão capaz de ampliar a autonomia quando a bateria não é suficiente.
Para um país onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão e as viagens de longa distância têm peso importante na decisão de compra, essa combinação pode se tornar especialmente atrativa.
Os REEVs, portanto, deixaram de ser apenas uma alternativa intermediária entre híbridos e elétricos. Com baterias maiores e uso predominantemente elétrico, eles começam a disputar espaço diretamente com os veículos 100% elétricos.
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