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GUERRA URBANA NO RIO DE JANEIRO

Moradores levam 55 corpos às ruas no Rio; mortos não constam na lista oficial

Após a megaoperação mais letal da história do Rio de Janeiro, comunidade da Penha denuncia que dezenas de mortos permanecem fora do balanço divulgado pelas autoridades, que até o momento reconhecem 64 vítimas na ação.

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Imagem ilustrativa da notícia Moradores levam 55 corpos às ruas no Rio; mortos não constam na lista oficial camera Moradores da Penha transportam dezenas de corpos até a Praça São Lucas após a megaoperação policial; segundo relatos, as vítimas não estão incluídas na contagem oficial divulgada pelo governo do Rio. | Raull Santiago/Arquivo pessoal

Em meio ao silêncio cortado por sirenes e choros, a comunidade do Complexo da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceu, nesta quarta-feira (29), marcada por uma cena devastadora. A madrugada revelou o retrato da mais letal operação policial da história da capital fluminense. Na Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, dezenas de corpos se acumulavam, transportados por moradores em caminhonetes improvisadas.

Ao menos 55 corpos foram levados ao local por familiares e vizinhos, segundo relatos de moradores. Muitos ainda acreditam que há mais vítimas na área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia - cenário dos confrontos entre forças de segurança e traficantes. A equipe do jornal O Dia registrou imagens que revelam a brutalidade da operação: corpos enfileirados no chão, a maioria com marcas de tiros no peito e no abdômen. Um dos cadáveres, segundo testemunhas, foi carregado sem cabeça.

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Em meio ao desespero, uma cena comoveu quem estava na praça. Uma mãe, tomada pela dor, foi vista beijando o corpo do filho morto. Um padre se aproximou e conduziu uma oração coletiva, cercado por moradores que ainda tentavam entender a dimensão da tragédia.

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NÚMEROS OFICIAIS

Moradores da Penha transportam dezenas de corpos até a Praça São Lucas após a megaoperação policial; segundo relatos, as vítimas não estão incluídas na contagem oficial divulgada pelo governo do Rio.
📷 Moradores da Penha transportam dezenas de corpos até a Praça São Lucas após a megaoperação policial; segundo relatos, as vítimas não estão incluídas na contagem oficial divulgada pelo governo do Rio. |Raull Santiago/Arquivo pessoal

De acordo com o governo do estado, até o início da manhã, 64 pessoas haviam sido mortas na operação, sendo 60 apontadas como criminosos e quatro policiais. No entanto, não há confirmação se os corpos levados à praça fazem parte dessa contagem oficial. Moradores e familiares estimam que o total de vítimas possa ultrapassar 100.

A Polícia Civil informou que o atendimento às famílias ocorrerá no prédio do Detran, ao lado do Instituto Médico Legal (IML), a partir das 8h. Durante esse período, o acesso ao IML ficará restrito aos peritos e representantes do Ministério Público. As necropsias não relacionadas à operação serão realizadas no IML de Niterói.

OPERAÇÃO MAIS LETAL DA HISTÓRIA

Mulher vela corpo de homem na área da Vacaria, na Serra da Misericórdia, após os intensos confrontos da megaoperação na Penha.
📷 Mulher vela corpo de homem na área da Vacaria, na Serra da Misericórdia, após os intensos confrontos da megaoperação na Penha. |César Salles/Arquivo pessoal

Batizada de "Operação Contenção", a ação conjunta nos complexos do Alemão e da Penha mobilizou mais de 2,5 mil agentes civis e militares. Segundo o governo do Rio, o objetivo era capturar lideranças do Comando Vermelho e conter a expansão territorial da facção. O saldo inclui 81 prisões e a apreensão de 93 fuzis, além de uma grande quantidade de material bélico ainda em contabilização.

O número de mortos é mais que o dobro da operação do Jacarezinho, em 2021, que terminou com 28 vítimas. Mesmo somadas as mortes das ações no Jacarezinho e na Vila Cruzeiro (2022), a estatística não se aproxima da magnitude da operação da última terça-feira (28).

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