O começo de um ano costuma simbolizar cuidado redobrado com a saúde, mudança de hábitos e maior atenção ao que se consome dentro e fora de casa. No entanto, os primeiros dias de 2026 também evidenciaram que a segurança sanitária segue sendo um desafio permanente, exigindo vigilância constante do poder público para evitar que produtos irregulares cheguem à população.
Entre 1º e 9 de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a proibição da fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e consumo de mais de 30 produtos em todo o país. As ações atingiram um amplo espectro do mercado, incluindo alimentos, cosméticos, saneantes, suplementos, fórmulas infantis e medicamentos, motivadas por falhas de qualidade, ausência de registro, uso de ingredientes não autorizados, risco de contaminação e até falsificação.
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CHÁ E POMADA CICATRIZANTE

Entre os primeiros alvos da fiscalização está o lote 6802956 do Chá de Camomila Lavi Tea, da marca Água da Serra. Após ensaio laboratorial, a Anvisa identificou a presença de partes vegetais estranhas à composição esperada do produto, como talos, ramos e sementes, o que motivou o recolhimento imediato.
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No mesmo período, a agência proibiu a Pomada Cicatrizante Inkdraw Aftercare, indicada para uso pós-tatuagem. O produto teve sua comercialização suspensa por não possuir registro ou notificação junto à Anvisa, além de ter origem considerada desconhecida pelo órgão regulador.

ALIMENTOS IRREGULARES
A fiscalização também alcançou produtos típicos das festas de fim de ano. Quatro lotes de panetones da empresa D’Viez Indústria e Comércio de Chocolates Finos Ltda. foram retirados do mercado após o aparecimento de fungos na superfície. O recolhimento, classificado como voluntário, atinge produtos com validade até 27 de fevereiro de 2026, incluindo versões tradicionais, trufadas e recheadas.
Outro grupo de produtos amplamente atingido foi o de alimentos com cogumelos funcionais. Itens fabricados pela Coguvita II Alimentos Ltda., como pastas, barras, granolas e cápsulas de café das marcas Smush e Smushn Go, foram proibidos em todos os lotes. Segundo a Anvisa, os produtos utilizam cogumelos como Lion’s Mane e Cordyceps, cujas seguranças ainda não foram avaliadas para uso em alimentos. Além disso, a agência apontou divulgação irregular, com alegações de benefícios à memória, foco, imunidade e saúde mental sem comprovação científica.

RECOLHMENTO DE COSMÉTICOS
No setor de cosméticos e saneantes, a Anvisa determinou o recolhimento de alisantes capilares da empresa Cosmonew Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda., que deveriam ter registro sanitário, mas foram apenas notificados. Também foram proibidos saneantes da marca Pureessence e um odorizador de ambientes fabricado por empresa sem regularização adequada.
FÓRMULAS INFANTIS
Um dos alertas mais sensíveis envolveu fórmulas infantis de marcas como Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac e Alfamino, fabricadas pela Nestlé Brasil Ltda. Alguns lotes foram proibidos devido ao risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria *Bacillus cereus*, capaz de provocar vômitos persistentes, diarreia e letargia. O recolhimento foi iniciado de forma voluntária e global após a detecção da toxina em produtos provenientes de uma fábrica na Holanda, ligada a um fornecedor internacional de óleos.

A lista inclui ainda o molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro. O lote LM283 foi recolhido após alerta da rede europeia RASFF indicar a presença de fragmentos de vidro no produto importado para o Brasil.

SUPLEMENTOS E MEDICAMENTOS
No campo dos suplementos alimentares, produtos voltados à saúde ocular e suplementos à base de ervas também foram suspensos. O Neovite Visão, da empresa BL Indústria Ótica Ltda. (Bausch Lomb), teve lotes recolhidos por uso de ingrediente não autorizado como fonte de zeaxantina e excesso de corante. Já suplementos da empresa Ervas Brasil Indústria Ltda. foram apreendidos por falta de licença sanitária, uso de ingredientes proibidos e divulgação com falsas indicações terapêuticas.
A fiscalização se estendeu aos medicamentos. Lotes específicos de Pantoprazol 40 mg e do antialérgico Alektos 20 mg foram recolhidos após falhas graves de embalagem, com troca de caixas por medicamentos diferentes, o que representa risco direto ao paciente. A Anvisa também determinou a apreensão de lotes falsificados ou de origem desconhecida de medicamentos de alto custo, como Imbruvica, Mounjaro e Voranigo, utilizados no tratamento de câncer e tumores cerebrais.
ANABOLIZANTE E HORMÔNIO
Além disso, a agência proibiu a comercialização de insumos farmacêuticos importados de forma irregular, como o anabolizante estanozolol e o hormônio prasterona, e suspendeu a atuação de uma drogaria que vendia medicamentos manipulados pela internet sem exigir prescrição médica.
O conjunto de medidas reforça o papel da Anvisa como guardiã da saúde pública e serve de alerta aos consumidores para redobrar a atenção quanto à procedência dos produtos, evitar promessas milagrosas e acompanhar comunicados oficiais. Em um mercado cada vez mais diversificado, a vigilância sanitária segue sendo uma linha essencial de proteção contra riscos silenciosos que podem comprometer a saúde coletiva.
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