Quando a violência atinge um animal que faz parte do cotidiano de um bairro inteiro, o impacto vai além da indignação momentânea. Ela escancara a fragilidade das relações de cuidado, desperta o senso coletivo de proteção e transforma luto em mobilização social. Foi esse sentimento que tomou conta da Praia Brava, em Florianópolis, após a morte do cão comunitário Orelha, figura conhecida e querida por moradores e frequentadores da região.
Na manhã desta segunda-feira (26), a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados por maus-tratos e coação no inquérito que apura a morte de Orelha, um cão comunitário de cerca de 10 anos, brutalmente agredido na Praia Brava. As diligências têm como objetivo reunir novos elementos de prova e esclarecer as circunstâncias do crime, que causou comoção em Santa Catarina e repercussão nacional.
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ADOLESCENTES SUSPEITOS DE ENVOLVIMENTO
Segundo a Polícia Civil, ao menos quatro adolescentes já foram identificados como suspeitos de envolvimento direto nas agressões que culminaram na morte do animal. A investigação também apura a denúncia de que um policial civil, pai de um dos adolescentes investigados, teria coagido uma testemunha durante o andamento do caso. A delegada responsável pela apuração, Mardjoli Valcareggi, confirmou que a denúncia está sendo analisada, mas afirmou que não há qualquer indício de participação de policial no crime em si. Os nomes dos envolvidos seguem sob sigilo.
DESAPARECIMENTO, AGRESSÕES E EUTANÁSIA
De acordo com relatos de moradores, Orelha havia desaparecido dias antes de ser encontrado em estado grave. Durante uma caminhada, uma das pessoas que cuidavam do cão o localizou caído, agonizando e com ferimentos severos. Ele foi imediatamente levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade das lesões, não houve alternativa além da eutanásia. O momento foi descrito com emoção por moradores que acompanharam de perto o resgate e os últimos instantes do animal.
CÃO COMUNITÁRIO

Orelha era um dos cães comunitários da Praia Brava, onde existem casinhas destinadas aos animais que se tornaram mascotes do bairro. Alimentado diariamente por moradores e cuidado de forma espontânea pela comunidade, ele fazia parte da paisagem afetiva do local. Além da convivência com pessoas, o cão também interagia com outros animais da região, reforçando os laços de pertencimento entre humanos e pets.
Em nota, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou que Orelha simbolizava a relação de cuidado e respeito construída ao longo dos anos entre a comunidade, o espaço urbano e os animais que ali vivem. Para os moradores, sua morte representa uma ruptura dolorosa dessa convivência.
MOBILIZAÇÃO NAS REDES SOCIAIS E PROTESTOS

Desde o caso, a Praia Brava tem sido palco de mobilizações e protestos. Moradores, protetores independentes, ONGs e institutos ligados à causa animal realizaram atos públicos pedindo justiça e punição aos responsáveis. Manifestações presenciais, caminhadas simbólicas com cães, orações e campanhas nas redes sociais, com a hashtag #JustiçaPorOrelha, ampliaram a visibilidade do caso. Artistas e personalidades, como as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui, também se manifestaram, cobrando respostas das autoridades e reforçando a necessidade de combate aos maus-tratos contra animais.
A Polícia Civil segue com as investigações, enquanto a comunidade aguarda que o caso Orelha resulte não apenas em responsabilização criminal, mas também em medidas efetivas de prevenção à violência contra animais comunitários.
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