Em um mundo interligado por voos longos e fronteiras cada vez mais simbólicas, surtos localizados rapidamente ganham dimensão global. Basta a confirmação de alguns casos para que protocolos sejam revisitados, aeroportos entrem em alerta e autoridades de saúde passem a medir riscos que extrapolam continentes, sobretudo quando se trata de vírus raros, letais e ainda sem cura.
A confirmação de novos casos do vírus Nipah na Índia levou países asiáticos a reforçarem medidas de vigilância sanitária em aeroportos e pontos de entrada. A doença, considerada rara e altamente letal, voltou a preocupar a comunidade internacional após cinco profissionais de saúde serem diagnosticados em Calcutá, capital do Estado de Bengala Ocidental. Um dos pacientes está em estado crítico, e mais de 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena por terem tido contato com infectados.
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PROTOCOLOS E AVALIAÇÃO DE ESPECIALISTAS
Diante do avanço dos casos, aeroportos da Tailândia, do Nepal e de Taiwan intensificaram protocolos de verificação de saúde, com checagem de sintomas e monitoramento de passageiros, medidas semelhantes às adotadas durante a pandemia de Covid-19. As informações foram divulgadas pela News-18, rede afiliada da CNN na Índia, enquanto autoridades locais afirmam que a situação segue sob controle e buscam tranquilizar a população.
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No Brasil, especialistas avaliam que o risco de o vírus Nipah chegar ao país, neste momento, é considerado baixo. Ainda assim, autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica, especialmente em relação a viajantes que estiveram recentemente em regiões com registro da doença.
O QUE É O VÍRUS NIPAH
Identificado pela primeira vez no fim da década de 1990, durante surtos na Malásia e em Singapura, o vírus Nipah já registrou casos ao longo dos anos em países como Bangladesh e Índia. A transmissão inicial esteve associada ao contato com porcos infectados, mas também pode ocorrer por alimentos contaminados e pelo contato próximo entre pessoas, o que amplia o risco em ambientes hospitalares.
Atualmente, não existem vacinas ou medicamentos específicos para o tratamento da infecção. O vírus pode provocar desde sintomas respiratórios até quadros graves de encefalite - inflamação do cérebro potencialmente fatal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, o que mantém o Nipah na lista de doenças prioritárias para monitoramento e pesquisa.
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