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COMBUSTÍVEIS E TRANSPORTE

Cessar-fogo entre EUA e Irã derruba preço do petróleo e impacta Brasil

Reabertura do Estreito de Ormuz, queda do petróleo Brent, alta nas bolsas de valores e impactos no diesel e energia expõem efeitos do acordo na economia

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Imagem ilustrativa da notícia Cessar-fogo entre EUA e Irã derruba preço do petróleo e impacta Brasil camera Mercado reage à trégua e petróleo despenca, com possíveis reflexos na economia brasileira | Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em um cenário internacional onde tensões geopolíticas frequentemente ditam o ritmo da economia, a simples sinalização de trégua pode operar como um divisor de águas. Foi o que se viu com o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, movimento que não apenas arrefeceu o risco de escalada militar no Oriente Médio, mas também desencadeou uma reação imediata nos preços do petróleo e nos mercados financeiros globais.

A promessa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do planeta, provocou uma forte queda nas cotações internacionais da commodity. O petróleo Brent, referência global, recuou cerca de 13%, sendo negociado a US$ 94,80 por barril, enquanto o petróleo comercializado nos Estados Unidos caiu mais de 15%, atingindo US$ 95,75. Ao mesmo tempo, bolsas de valores reagiram com entusiasmo, especialmente na Ásia, refletindo o alívio temporário nas cadeias de fornecimento de energia.

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PETRÓLEO AINDA ACIMA DO PRÉ-CRISE

Apesar do recuo expressivo, os preços do petróleo ainda não retornaram aos níveis anteriores ao início do conflito, em 28 de fevereiro, quando o barril era negociado na faixa dos US$ 70. Isso indica que, embora o cessar-fogo tenha reduzido as tensões imediatas, o mercado ainda precifica riscos associados à instabilidade na região.

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APESAR DE ACORDO, BRASIL MANTÉM PACOTE DE MEDIDAS

No Brasil, a queda do Brent surge como uma possível válvula de escape para a pressão sobre combustíveis e transporte. Até então, o governo federal vinha tentando conter os aumentos por meio de um robusto pacote de medidas, diante da escalada dos preços, especialmente do diesel.

Considerado peça-chave para a logística nacional, já que abastece o transporte de mercadorias e a safra agrícola, o diesel tem sido motivo de preocupação central para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em março, o Planalto anunciou um pacote de R$ 30 bilhões com o objetivo de reduzir o preço nas bombas.

A estratégia previa um desconto de R$ 0,64 por litro, combinando redução de impostos e uma subvenção inicial de R$ 0,32 por litro, posteriormente ampliada para R$ 1,12 no caso do combustível produzido no país. Trata-se de um subsídio direto às empresas, visando amortecer o impacto das oscilações internacionais.

MEDIDIDAS INCLUEM AVIAÇÃO E CRÉDITO AO SETOR

O pacote também contemplou outras frentes: isenção de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação (QAV), gerando economia estimada em R$ 0,07 por litro; liberação de duas linhas de crédito que somam R$ 9 bilhões; e o adiamento, até dezembro, das tarifas de navegação aérea da Força Aérea Brasileira referentes ao segundo trimestre.

Essas ações buscavam conter não apenas o preço dos combustíveis terrestres, mas também o impacto direto nas passagens aéreas, fortemente pressionadas pelo aumento do querosene.

RESISTÊNCIA DE DISTRIBUIDORAS TRAVA EFEITOS

Apesar do volume de recursos e da abrangência das medidas, a implementação encontra entraves relevantes. Parte significativa do setor não aderiu ao programa, o que limita sua efetividade.

Empresas como Vibra (antiga BR Distribuidora), Ipiranga e Raízen — responsáveis por cerca de metade das importações privadas de diesel — optaram por não participar da política. A principal razão seria a exigência de cumprimento de limites de preços definidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), baseados em parâmetros de mercado.

Diante desse impasse, a queda internacional do petróleo ganha ainda mais relevância, funcionando como um mecanismo indireto de redução de preços ao consumidor.

BOLSAS DISPARAM COM ALÍVIO GEOPOLÍTICO

No cenário internacional, os reflexos foram imediatos. Os principais índices da Ásia-Pacífico registraram fortes altas: o Nikkei 225, do Japão, avançou 5%; o Kospi, da Coreia do Sul, subiu quase 6%; o Hang Seng, de Hong Kong, teve ganho de 2,8%; e o ASX 200, da Austrália, valorizou 2,7%.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros também apontavam para uma abertura positiva em Wall Street, sinalizando confiança dos investidores na redução das tensões e na retomada do fluxo energético.

ORMUZ: O GARGALO ESTRATÉGICO DO PETRÓLEO

O estreito de Ormuz é uma peça-chave no tabuleiro energético global. Durante o conflito, o Irã chegou a ameaçar bloquear a passagem, o que gerou temor generalizado e elevou drasticamente os custos da energia, sobretudo na Ásia, altamente dependente do petróleo do Golfo.

Mesmo sob tensão, alguns navios conseguiram atravessar a rota, embora em número reduzido. Países como Índia, Malásia e Filipinas negociaram passagens seguras para suas embarcações. A China também confirmou a travessia de parte de sua frota, enquanto um navio da empresa francesa CMA CGM e uma embarcação japonesa transportando gás natural conseguiram cruzar o estreito.

DANOS BILIONÁRIOS E RECUPERAÇÃO LENTA

Apesar da trégua, especialistas alertam que a normalização plena da produção energética no Oriente Médio ainda está distante. Ataques a infraestruturas estratégicas deixaram prejuízos significativos.

Estimativas indicam que os danos podem ultrapassar US$ 25 bilhões, com tempo de recuperação que pode se estender por anos. Um dos episódios mais graves foi o ataque ao complexo industrial de Ras Laffan, no Catar, responsável por cerca de um quinto da produção global de gás natural liquefeito.

A ofensiva reduziu em 17% a capacidade de exportação do país, e a recuperação total pode levar até cinco anos, segundo operadores do setor.

ÁSIA SOFRE IMPACTO MAIS SEVERO

A Ásia foi uma das regiões mais atingidas pelos efeitos econômicos do conflito. A dependência do petróleo do Golfo expôs fragilidades estruturais, especialmente em países em desenvolvimento.

Governos e empresas adotaram medidas emergenciais para enfrentar a crise energética. As Filipinas, que importam 98% do petróleo do Oriente Médio, declararam estado de emergência após os preços da gasolina mais que dobrarem. Companhias aéreas elevaram tarifas e reduziram voos, enquanto a escassez de combustível pressionou cadeias produtivas.

Especialistas destacam que países sem refinarias próprias ou reservas estratégicas sofreram impactos ainda mais intensos.

TRÉGUA ALIVIA, MAS INCERTEZA PERSISTE

Analistas avaliam que o cessar-fogo representa um alívio importante, mas ainda frágil. A retomada completa da produção e da estabilidade no mercado energético depende de um acordo de paz duradouro e da reconstrução da infraestrutura afetada.

Até lá, a tendência é de volatilidade nos preços, com possíveis oscilações conforme evoluam as negociações diplomáticas. Se mantida, a trégua pode gradualmente levar o petróleo de volta a níveis mais baixos. No entanto, o caminho - como indicam os especialistas - ainda será longo e incerto.

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