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INVESTIGAÇÃO

Pacientes na UTI teriam sido mortos por “darem muito trabalho”

Audiência de instrução começou nesta quarta-feira e Tribunal do Júri de Taguatinga deve ouvir 32 testemunhas até junho

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Imagem ilustrativa da notícia Pacientes na UTI teriam sido mortos por “darem muito trabalho” camera Três técnicos de enfermagem são investigados por mortes de pacientes na UTI. Entenda a situação e suas implicações para a saúde e ética médica. | Reprodução

A audiência de instrução dos técnicos de enfermagem acusados de matar pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta começou nesta quarta-feira (27), no Tribunal do Júri de Taguatinga, no Distrito Federal. O processo apura a morte de três pacientes e deve seguir até o dia 8 de junho, com previsão de depoimento de 32 testemunhas entre acusação e defesa.

Um documento do processo aponta que a motivação dos crimes seria o fato de as vítimas “darem muito trabalho”. Os acusados são os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, de 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.

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As vítimas identificadas pela investigação são Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; João Clemente, de 63; e Marcos Moreira, de 33 anos. O caso começou a ser investigado na véspera de Natal de 2025, após o Hospital Anchieta informar à Polícia Civil do Distrito Federal suspeitas envolvendo mortes ocorridas nos leitos da UTI da instituição.

De acordo com a investigação, a Comissão de Óbitos do hospital identificou indícios de homicídio ao analisar prontuários médicos e imagens de câmeras de segurança. As gravações mostrariam comportamentos considerados suspeitos dos técnicos de enfermagem durante atendimentos a pacientes que morreram pouco depois das intervenções.

Após identificar duas mortes semelhantes, o hospital revisou outros casos e encontrou um terceiro óbito com o mesmo padrão, registrado em 1º de dezembro. Finalizada a auditoria interna, a instituição encaminhou as informações à polícia. A investigação ganhou prioridade quando os agentes descobriram que Marcos Vinícius, já demitido do hospital, trabalhava na UTI neonatal de outro hospital infantil em Taguatinga.

A operação que resultou na prisão temporária dos investigados foi realizada em janeiro, após uma força-tarefa envolvendo a Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

Segundo a polícia, Marcos Vinícius era responsável por aplicar substâncias nos pacientes. Inicialmente, ele negou os fatos e afirmou que apenas seguia prescrições médicas. No entanto, após ser confrontado com imagens que mostrariam o momento em que acessava o computador médico e aplicava medicamentos nas vítimas, confessou o crime.

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O delegado Wisllei Salomão afirmou que os investigados demonstraram frieza durante os interrogatórios. “Quando passamos os vídeos, eles não manifestaram surpresa nem choque. Também não demonstraram arrependimento”, declarou.

Marcela Camilly afirmou inicialmente não saber quais substâncias eram aplicadas por Marcos, mas depois admitiu que se arrependeu de não impedir a ação nem alertar a equipe médica. Ela também confirmou saber que o medicamento poderia provocar a morte se utilizado de maneira inadequada. Amanda Rodrigues, por sua vez, negou participação e disse acreditar que Marcos aplicava medicações comuns. As imagens, segundo a investigação, mostrariam Amanda vigiando a porta enquanto os procedimentos eram realizados. Confrontada, ela permaneceu em silêncio. Até o momento, nenhum dos três acusados revelou oficialmente a motivação dos crimes.

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