Passar mal durante uma viagem de avião já é uma situação que gera preocupação. Em casos mais graves, como uma parada cardiorrespiratória, o desafio é ainda maior, já que o atendimento precisa ser realizado em pleno voo, longe da estrutura de um hospital. Foi justamente uma situação como essa que mobilizou passageiros e tripulantes de uma aeronave da Latam e terminou com um desfecho emocionante.
A ginecologista e obstetra Carolina Rossignolo Torres, de 33 anos, moradora de São José do Rio Preto (SP), ajudou a salvar a vida de uma passageira que sofreu uma parada cardiorrespiratória durante um voo que seguia de Congonhas, em São Paulo, para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no dia 30 de abril.
Carolina estava dormindo durante os momentos finais da viagem quando começou a ouvir pedidos de socorro.
"Eu ouvi alguém gritando por um médico e achei que fazia parte do sonho. Até que minha amiga me alertou que estavam precisando de ajuda", contou.
Ao chegar até a passageira, uma mulher de 43 anos, a médica constatou que ela estava inconsciente e sem pulso. Diante da gravidade da situação, iniciou imediatamente os procedimentos de reanimação.
Como a aeronave já estava em fase de pouso, a paciente foi colocada no espaço entre as poltronas para facilitar o atendimento. Outros profissionais da saúde que também estavam no voo se juntaram ao socorro. Enquanto Carolina e uma enfermeira se revezavam nas compressões cardíacas, outra médica realizava a ventilação.
Pouco depois, a equipe utilizou um desfibrilador. Foram necessários quatro choques elétricos e cerca de 20 minutos de reanimação até que a passageira voltasse a apresentar sinais vitais.
Após o pouso, a mulher foi encaminhada para um hospital no Rio de Janeiro. Dias depois, Carolina recebeu a notícia que tanto aguardava: a paciente havia sobrevivido, deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e já respirava sem a ajuda de aparelhos.
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A médica, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS), afirma que ainda processa tudo o que aconteceu naquele dia. Apesar da repercussão do caso, ela não se considera uma heroína.
"Eu apenas fiz o que precisava ser feito. Quando escolhi a medicina, assumi um compromisso com a vida. Naquele momento, meu instinto profissional falou mais alto", afirmou.
Para Carolina, a experiência reforçou a importância da formação médica e do compromisso assumido diariamente por profissionais de saúde, seja dentro de um hospital ou em situações inesperadas, como a que aconteceu a milhares de metros de altura.
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