Os dois ataques registrados em praias da Região Metropolitana do Recife em um intervalo de apenas 24 horas voltaram a acender o alerta sobre a presença de tubarões no litoral pernambucano. No domingo (31), o menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi mordido na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Já na segunda-feira (1º), a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi atacada na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ambos seguem internados no Hospital da Restauração.
Segundo especialistas do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), os ataques foram provocados por espécies diferentes: um tubarão-cabeça-chata, no caso do menino, e um tubarão-tigre, no da jovem. Apesar de estarem entre as espécies mais associadas aos incidentes registrados no estado, elas apresentam características e comportamentos distintos.
A pesquisadora Mariana Rêgo, integrante do Cemit e do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), explica que a identificação das espécies foi feita a partir das marcas deixadas nas vítimas e do padrão de dentição de cada animal.
“Um outro fator que a gente leva também [em consideração] é a região e a forma como é o incidente, como é o ataque, a mordida. Então, a gente leva vários fatores para poder enxergar ali a possibilidade de ser aquele animal”, afirmou.
De acordo com a especialista, o tubarão-cabeça-chata costuma ser mais territorialista e frequenta águas rasas para caçar. Com corpo mais robusto, geralmente ataca de baixo para cima e possui dentes pontiagudos na parte inferior e triangulares na superior, uma dentição conhecida como “garfo e faca”.
Já o tubarão-tigre apresenta comportamento migratório e uma alimentação bastante variada. “É um animal mais explorador. É como se ele fosse fluido alimentar. É um animal que se alimenta de qualquer coisa”, explicou Mariana Rêgo.
Além das características das espécies, especialistas apontam que fatores ambientais podem favorecer a aproximação dos tubarões da faixa costeira. O período de lua cheia, as marés mais altas e o mar agitado aumentam a presença desses animais em áreas rasas, onde costumam buscar alimento.

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Mariana Rêgo também alerta que a água turva, comum durante o período chuvoso no Grande Recife, dificulta a visão dos tubarões e pode elevar o risco de incidentes. “São animais topo de cadeia. Nessa época de chuva, maré alta, não pode entrar na água. A gente precisa realmente respeitar a sinalização e o trabalho de prevenção”, ressaltou.
Por isso, a principal recomendação dos especialistas é evitar o banho de mar em áreas de risco durante períodos de maré alta, águas turvas e condições climáticas desfavoráveis, seguindo sempre as orientações de segurança.
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