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Diretora da COP30 critica EUA por atrapalhar avanços na política climática

Ana Toni afirma que tarifas e pressões comerciais de Washington dificultam avanço de políticas de descarbonização

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Imagem ilustrativa da notícia Diretora da COP30 critica EUA por atrapalhar avanços na política climática camera Ana Toni, diretora-executiva da COP30, durante entrevista sobre os desafios da agenda climática internacional. | (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou que a estratégia comercial dos Estados Unidos tem dificultado o avanço de políticas climáticas adotadas por outros países. A declaração foi dada em entrevista à agência AFP, semanas antes da conferência climática da ONU, marcada para novembro, na Turquia.

Segundo Toni, as tarifas e pressões comerciais adotadas pelo governo norte-americano podem influenciar decisões de países que buscam reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Os Estados Unidos se retiraram do Acordo de Paris por decisão do presidente Donald Trump. Para a diretora da COP30, a política comercial norte-americana também tem impacto sobre a adoção de tecnologias de baixo carbono.

De acordo com Toni, a rivalidade entre Estados Unidos e China é um dos fatores que contribuem para esse cenário. Ela afirmou que alguns países estariam mais resistentes à importação de produtos chineses de baixo carbono por receio de possíveis retaliações comerciais dos EUA.

Transição para longe dos combustíveis fósseis

Outro ponto destacado por Ana Toni foi a necessidade de reduzir a dependência mundial de petróleo, carvão e gás. Para ela, a transição energética não está relacionada apenas ao combate às mudanças climáticas, mas também à segurança energética e a questões econômicas.

A dirigente citou a crise no Estreito de Ormuz e os impactos sobre o abastecimento e os preços da energia como exemplo dos riscos relacionados à dependência dos combustíveis fósseis.

Após o acordo firmado em 2023, durante a COP28, em Dubai, que defendeu a transição para longe dos combustíveis fósseis, o tema voltou ao centro das discussões climáticas.

A Presidência brasileira da COP30 se comprometeu a apresentar um “mapa do caminho” para a saída progressiva e voluntária dos combustíveis fósseis.

Documento não terá metas obrigatórias

Ana Toni teve participação na elaboração do documento, que deve ser apresentado no início de novembro, antes da conferência climática da ONU na Turquia.

Segundo ela, o material não deverá estabelecer metas numéricas ou cronogramas específicos para cada país. A proposta é apresentar caminhos gerais de transição, levando em consideração os diferentes níveis de dependência dos combustíveis fósseis.

A diretora defendeu que todos os países podem reduzir gradualmente sua exposição aos combustíveis fósseis, mesmo partindo de condições econômicas e energéticas diferentes.

Toni também citou como exemplo a iniciativa da Turquia de ampliar voluntariamente a eletrificação de setores como transporte, construção e indústria.

Cobrança por mais recursos para países pobres

Na entrevista, a diretora da COP30 também criticou a falta de aumento nas contribuições financeiras dos países mais ricos para ajudar na adaptação às mudanças climáticas.

Ela mencionou o colapso de uma geleira no Nepal e questionou se eventos extremos serão suficientes para aumentar a mobilização dos países desenvolvidos em torno do financiamento climático.

A cobrança por recursos para adaptação é uma das questões que devem permanecer entre os principais temas das negociações internacionais sobre o clima.

Brasil e preservação da Amazônia

Ana Toni também comentou a política ambiental brasileira e defendeu a continuidade da redução do desmatamento na Amazônia Legal.

Segundo ela, a manutenção de políticas de combate ao desmatamento é importante não apenas para a preservação ambiental, mas também para as relações comerciais e diplomáticas do Brasil.

A diretora afirmou ainda que o setor agropecuário brasileiro teria interesse na continuidade dessa política, diante da importância da agenda ambiental para o comércio internacional.

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