São objetos para todos os gostos, preços e apreços. O Círio chega e traz com ele uma simbologia que só a fé pode descrever. São velas, imagens de cera, crucifixos, castiçais, fitinhas, entre outros inúmeros que carregam neles uma graça alcançada ou um pedido. Esses objetos estão à disposição o ano inteiro, mas poucos meses antes da chegada do Natal dos paraenses eles enfeitam mais ainda Belém, e garantem o trabalho em dobro dos comerciantes.
Dono de uma fábrica de velas, Pedro Barbosa trabalha com a confecção de peças de cera há 35 anos. O comerciante explica que trabalha os 365 dias do ano na fabricação dessas peças, mas, quando inicia o mês de maio, o trabalho chega a triplicar. “Quando a gente sai da semana santa, já começa a trabalhar para o Círio. A dedicação é praticamente exclusiva”, conta Pedro.
Os promesseiros não usam apenas a corda como forma de agradecer as promessas alcançadas. Os objetos de cera levados durante as romarias incluem parte do corpo humano, órgãos internos, bens materiais e animais de estimação. “Nossos maiores pedidos são de partes do corpo. O romeiro alcançou a graça e vai levar aquele objeto em forma de agradecimento. Nós chegamos a produzir noventa itens só de partes do corpo”, afirma Pedro, que já recebeu encomendas dos mais variados tipos de promessas.
“Já tive que produzir um galho de maniva. Imagine a dificuldade, mas a nossa equipe se empenhou e produziu. O romeiro nunca saiu daqui sem a sua encomenda”, comemora o comerciante.
Retorno imediato
Segundo Pedro, a venda das peças de cera aumentam a partir da segunda quinzena de setembro, e no início de outubro ele alcança 100% da procura dos objetos. “Não confeccionamos essas peças apenas pelo trabalho e a garantia de um retorno financeiro. Nós sabemos que essa fábrica e os funcionários dela são um elo entre o romeiro e a Nossa Senhora de Nazaré”.
As fitas de lembrança do Círio também são muito procuradas desta época do ano. Maria de Lourdes Flexa fabrica e vende há mais de 30 anos. Ela lamenta o fraco movimento deste início de mês, mas tem certeza de que outubro será o melhor mês do ano para vender a fabricação que garante o sustento da família. “Fabrico de 5 até 10 mil fitinhas por mês, e para mim é muito gratificante vender produtos do Círio e ainda estar bem pertinho de Nossa Senhora”, conta Maria, que fez da frente da igreja o ponto de venda das fitas.
Ela investe o ano inteiro na fabricação de fitas e chaveiros do Círio. “Todas as vezes que eu arrumo um dinheiro, vou logo comprando material para não parar a produção e, graças a Deus, tem dado certo todos esses anos”, comemora.
(Diário do Pará)


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