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BELEZA SOB O SOL

Corpos gordos estão prontos para o Verão

Julho na porta e já tem gente que se prepara para curtir muito sol. Conheça o corpo do verão, que muitas vezes esteve escondido, mas agora é hora de ser mostrado.

sexta-feira, 25/06/2021, 11:35 - Atualizado em 25/06/2021, 12:26 - Autor: BRUNA DIAS

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Tuanne Valente está pronta para o Verão.
Tuanne Valente está pronta para o Verão. | DOL

O verão paraense está na porta e chegou a hora de se preparar para receber o período mais ensolarado na região. Sol, praia e diversão - é momento de colocar o look praiano “pra jogo” e curtir com distanciamento e as medidas sanitárias cabíveis.

Chegou a hora de usar o “corpo do verão”, e sabe qual é? O seu! E para começar essa matéria lembramos logo: ninguém precisa aceitar um corpo gordo, pois não há nada de errado em ser gorda.

“Podemos dizer que as pessoas têm dificuldades em aceitar as diferenças, inclusive, pessoas acima do peso. A maioria dessas pessoas passou por algum tipo de sofrimento no decorrer da vida, e essas vivências trazem uma carga de sentimentos que acabam contribuindo para a autoafirmação e a aceitação do próprio corpo, o que se dá por meio de momentos reinventados pela própria pessoa, atribuindo uma positividade a sua imagem. Dessa forma, fica mais fácil compreender que para as pessoas com corpos gordos, não cabe o termo ‘aceitação’, e sim o amor-próprio”, explicou Paula Costa, psicóloga do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira.

O que precisa mudar de fato é o olhar preconceituoso das pessoas, esse sim é capaz de adoecer.

“O preconceito, infelizmente, existe na maioria das pessoas em relação ao peso, e toda forma de preconceito machuca, incomoda e traz uma enorme dor na pessoa julgada. Podemos dizer que aceitar as críticas e não senti-las é inevitável, porém, podemos tentar sensibilizar a sociedade por meio da empatia, buscando conscientizar as pessoas que não se deve fiscalizar o corpo dos outros e nem recriminá-los”, explicou a profissional.

 

Paula Costa, psicóloga do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira.
Paula Costa, psicóloga do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira. | Divulgação/Pró-Saúde
 

“O sofrimento de não se aceitar, de não se encaixar nos padrões, é horrível! Porém, confrontar isso de forma constante não irá ajudar, mas podemos experimentar ser felizes como somos, e buscar através desse pensamento uma atitude positiva em relação ao nosso corpo. O primeiro passo é o autoconhecimento, sabendo no que posso ser melhor, melhorando assim a minha autoestima, e tomando consciência das situações que são destrutivas em relação a nossa vida, com o nosso corpo, com a nossa aparência. Entretanto, tudo isso nos faz ser quem somos, e esconder isso com emoções destrutivas não irá melhorar em nada. É importante se conhecer e buscar seus pontos fortes, se impor e, em casos mais complexos de aceitação, buscar ajuda profissional é imprescindível”, aconselhou Paula Costa.

Um dos mitos que rondam a sociedade é que apenas pessoas magras são saudáveis, mas vemos dezenas de doenças que acompanham um corpo magro. A Cecília Coimbra, médica e coordenadora de Endocrinologia do Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB), tratou logo de mudar esse pensamento.

 

 Cecília Coimbra, médica e coordenadora de Endocrinologia do Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB).
Cecília Coimbra, médica e coordenadora de Endocrinologia do Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB). | Divulgação/Pró-Saúde
 

“É possível você estar acima do peso e saudável. Pessoas com sobrepeso podem não estar satisfeitas com o espelho e padrões atuais que a sociedade impõe, no entanto, seu perfil metabólico e hormonal pode estar adequado”, explicou.

Após se encontrar com seu peso, estética e com as suas questões internas certamente se encontra a felicidade. Ver um corpo gordo e identificá-lo como doente é totalmente errôneo, a endocrinologista faz questão de destacar que só é possível diagnosticar alguma patologia por meio de consultas, com avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem. Que o peso em si, não é capaz de definir se a pessoa está doente ou não.

MODELOS E INFLUENCERS

O Instagram oferece milhares de conteúdos para o usuário da rede, o importante é ter na sua timeline perfis com os quais se identifica e/ou gosta do conteúdo. Tuanne Valente e Sinara Assunção são exemplos de mulheres que estampam as redes com bom conteúdo, beleza e muito amor próprio.

As modelos entregam conteúdos de moda, militância e rotina. E as duas estão prontas para o verão e cheias de fotos com biquínis e looks praianos para os seus seguidores.

“Teve um tempo que a sociedade acreditava que meu corpo não era feito para o verão, me fizeram acreditar que se eu usasse um biquíni era errado. A sociedade já foi muito dura comigo. Hoje eu sei que o meu corpo é o certo para o verão e eu tenho o corpo do verão”, contou Tuanne.

Sinara também já passou por isso, e acreditou muitas vezes que não podia colocar o biquíni que quisesse. “Sinceramente hoje eu acho que eu tenho um corpo para o verão. Mesmo que as pessoas não estejam preparadas para ver uma mulher gorda satisfeita com o seu corpo. Hoje eu coloco a  minha bunda ‘para jogo’ e minha barriga também, quanto menos eu cobrir é melhor”, disse.

A modelo tenta sempre escolher uma cor para o seu cabelo e ir casando com seus looks.


Assim como para muitas mulheres, as influencers já percebem o quanto as pessoas ainda se sentem no direito de opinar sobre as suas vidas e aparências. E por diversas vezes esses julgamentos tomam proporções maiores, como por exemplo ir até a pessoa dizer o que lhes desagradar.

Tuanne faz questão de enfatizar que muitas vezes essas falas gordofóbicas vem das próprias mulheres: “isso é o que deixa mais triste. Ouvir pessoas na minha própria família julgando outras mulheres ”.

Mas a modelo se considera com um estilo abusado, ela ousa e não pensa em se esconder. Mesmo que se algumas vezes pegue uma inspiração em um look de um corpo magro, Tuanne faz as suas adaptações e usa o que gosta.

“Mantive o meu corpo escondido por muito tempo, agora uso o que eu quero e me dá vontade. Sou muito livre em relação a isso”, contou. E ela adianta logo: “uso fio dental, uso biquíni de amarrar na lateral, amo meu decote”.

Durante muito tempo, a modelo foi orientada a usar roupas mais largas e que não marcassem, sobre as cores, sempre diziam que ela não podia usar branco ou cores mais claras. “Eu uso a cor que eu quero usar, o biquíni que tenho vontade”, mandou avisar. 

Com um alcance grande nas redes sociais, Tuanne percebe que muitas mulheres fazem parte do seu ciclo na web. Mesmo sofrendo algumas críticas nos comentários, ela avalia que a maioria das pessoas ainda está lá para acrescentar. Muitas mulheres se inspiram no seu amor próprio e mais que isso, pedem dicas para se libertar do preconceito que tem com seu corpo gordo.

“Não há segredo, só é preciso entender que nosso corpo é igual a todos, assim como tem o alto e o baixo, existe o magro e o gordo, é uma característica física”, finalizou Tuanne.

Sinara também passou por quase todos os processos acima. Com muito amor pelo seu corpo, ela esbanja beleza e autoestima no seu perfil no Instagram.


“Demorou bastante para que eu me aceitasse, fui criada como toda pessoa gorda, para esconder seu corpo. Somos vistas como pessoas doentes, feias, eu considera que meu corpo não era feito para ser mostrado. Mas hoje eu coloco meu corpo gordo pra jogo na oportunidade que eu quiser”, disse.

Recentemente a influencer se deparou com o seu poder nas redes sociais. “Na verdade tem muita mulher que de alguma forma eu a encorajei. Eu lembro que no Carnaval de 2020, eu tava fazendo a cobertura de um evento com roupas de duas peças e meia arrastão, nesse dia uma menina me parou e falou ‘eu estou te acompanhando todos esses dias e por causa disso tive coragem de colocar uma roupa curta e curtir o Carnaval, obrigada por isso’. Eu sempre recebo mensagem dessa forma, me dizendo que por causa de mim conseguiu usar cropped, biquíni, short. Eu sempre agradeço e fico emocionada porque eu queria muito ter uma pessoa como eu mais cedo, na minha adolescência, é muito bom estar nesse lugar que encoraja as pessoas”, se emociona Sinara.

É HORA DE SE MOSTRAR

Se o momento é de “lançar” o seu corpo no verão, Géssica Meireles quer mulheres bronzeadas o ano todo. Em um espaço totalmente democrático, a empreendedora da área de bronzeamento, recebe vários corpos para deixar aquela marquinha perfeita de sol.

“Aqui no GM, acreditamos que um corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz dentro dele. E com essa certeza, não existe um corpo padrão para uma marquinha. Trabalhamos com autocuidado, autoestima, satisfação e a busca da felicidade em cada cliente que passa pela nossa porta e que confia em nosso trabalho, por isso, o corpo ideal para uma marquinha é aquele que cada cliente carrega consigo, com as suas marcas individuais da história de vida de cada uma”, contou.

Na beira da baia e com um terraço todo pronto para receber o maior número de pessoas, a GM Bronzeamento se destaca pelo cuidado e atenção individual.

“Em nossas mídias sociais deixamos claro que não fazemos distinção de corpo nenhum. Não há um padrão para ser feliz e nem para bronzear. Nossas clientes e até mesmo as que somente nos acompanham em nossas redes, sabem de modo geral que não limitamos o nosso serviço para nenhum público em específico. Estamos sempre de portas e corações abertos para todas! O biquíni de fita tem o grande poder de valorizar cada mulher de acordo com a sua simetria corporal, visto que não há nenhum corpo igual a outro, nós montamos de forma artística fita por fita, de acordo com o que a nossa cliente pede. Elas desejam e nós executamos. Somos especialistas em biquínis do PP ao GG”, acrescentou Gessica Meireles.

A GM Bronzeamento foi inaugurada em 2016 e recentemente mudou de local. No mesmo bairro, no Jurunas, hoje o espaço aumentou sua capacidade.

EMPREENDEDORISMO

Sabe o ditado “do limão se faz uma limonada”? Foi assim que Carolina Pitágoras,  38 anos, e Claudia Vaz, 53, resolveram empreender. Sócias em uma empresa familiar, sobrinha e tia viram na moda Plus Size a oportunidade para abrir um negócio.

 

Carolina Pitágoras,  38 anos, e Claudia Vaz , 53, sócias da Maninha Plus.
Carolina Pitágoras, 38 anos, e Claudia Vaz , 53, sócias da Maninha Plus. | Arquivo Pessoal
 

“Sempre tivemos dificuldades com a balança. Tive duas gestações seguidas e meu corpo mudou muito,  não conseguia encontrar roupas nas fast fashion. Entramos no mercado em outubro de 2019 com a proposta de que gorda usa tendência, o corpo gordo pode usar o que quiser e  junto com o crescimento da loja foi ocorrendo nosso processo de aceitação”, explicou Carolina.

A Maninha Beach Wear além de trazer peças para corpos gordos tem um conteúdo nas redes sociais bem atual e de aceitação.

Quando muitas pessoas pensam em Plus Size, tem a ideia de que são roupas em tamanho grande, mas o mercado não mostra isso. Com modelagem e cortes com tendências, a moda está cada vez mais focada nesse público.

“Só vendemos roupas para o público plus, vestimos mulheres do 46 até o 52. O mercado está em expansão, e aquecido,  nosso faturamento aumentou mais de 200%, nos especializamos em tendências,  tudo que está em alta na moda, temos, e é importante lembrar que se um corpo magro é capaz de vestir aquele modelo de roupa, o gordo também veste”, disse.

Carolina explica ainda, que no seu empreendimento tem roupa de todos os gostos: “Acredito que muitas estão em processo de aceitação, e a moda é grande aliada. Mas ainda tem bastante resistência, por exemplo, muitas não gostam de mostrar os braços ou roupas que marquem a barriga. O movimento corpo livre ajuda muito, ver mulheres reais, corpos reais. Por isso não usamos fotos de fábrica nas nossas redes sociais e temos nossa modelo, que também não edita seu corpo gordo”.

A empreendedora está com a sua loja em grande expansão e já é referência em Belém. Mas todo o processo do crescimento do seu negócio fez parte do crescimento pessoal da dupla.

"Hoje já mostro minha barriga, minha sócia usa vestido, fomos evoluindo e nos aceitando. Já ouvimos muitas criticas, como ‘tu engordou’ ou ‘és tão bonita, porque não emagrece’, peguei tudo isso e percebi que o problema não sou eu e nem é meu”, finalizou Carolina.

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