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INSTABILIDADE GLOBAL

Trump mira na Groenlândia, provoca reação da UE e abala a Otan

Casa Branca avalia opções diplomáticas e militares sobre a Groenlândia, enquanto líderes europeus defendem soberania e segurança coletiva no Ártico.

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Imagem ilustrativa da notícia Trump mira na Groenlândia, provoca reação da UE e abala a Otan camera Declarações de Donald Trump reacendem tensões no Ártico, provocam reação da Europa e ameçam furuto da OTAN. | Daniel Torok/Casa Branca e Pixabay

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas estratégicas e movimentos de força travestidos de diplomacia, antigos mapas voltam a ser examinados com novos interesses. Regiões antes vistas como periféricas passam a ocupar o centro das atenções globais, especialmente quando envolvem recursos naturais, rotas comerciais, segurança internacional e o equilíbrio delicado entre alianças históricas.

É nesse cenário que o governo dos Estados Unidos confirmou, na última terça-feira (6), que o presidente Donald Trump discute diferentes alternativas para ampliar o controle norte-americano sobre a Groenlândia. Segundo a Casa Branca, estão em análise desde saídas diplomáticas, como a compra do território ou um acordo de livre associação, até hipóteses mais extremas, que envolveriam o uso das Forças Armadas. A justificativa apresentada é a necessidade de conter a influência de China e Rússia no Ártico, região considerada vital para a segurança norte-americana.

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INTERESSE ANTIGO NA GROENLÂNDIA

A Groenlândia, embora geograficamente situada no continente norte-americano, mantém laços históricos e políticos com a Dinamarca. Ex-colônia dinamarquesa, a ilha integra oficialmente o Reino da Dinamarca desde 1953 e passou a ter governo autônomo em 2009, quando ganhou o direito de decidir sobre uma eventual independência por meio de referendo. Ainda assim, os Estados Unidos mantêm presença militar no território e observam com atenção seu posicionamento estratégico.

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O interesse norte-americano não é novo. Trump já havia defendido a anexação da Groenlândia durante seu primeiro mandato e voltou a tratar do assunto após reassumir a presidência. Em declarações recentes, o republicano afirmou que a ilha é fundamental para a “paz mundial”, citando o aumento do tráfego naval chinês e russo em rotas do Ártico. Para ele, os Estados Unidos não poderiam depender da Dinamarca ou de outros países para garantir a segurança da região.

AMEAÇA VELADA

O tom das declarações e as ações subsequentes elevaram a temperatura diplomática na Europa. Em dezembro, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar da Groenlândia, gesto interpretado como sinal claro de que o tema é prioridade estratégica em Washington. A reação foi imediata: o governo dinamarquês convocou o embaixador dos EUA em Copenhague e classificou as declarações como inaceitáveis.

As tensões se intensificaram após uma recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com o sequestro do ditador Nicolás Maduro. Poucas horas depois, uma publicação em rede social feita por Katie Miller, esposa de um alto funcionário da Casa Branca, mostrando um mapa da Groenlândia coberto pela bandeira dos EUA e a legenda "em breve", foi interpretada por líderes europeus como ameaça velada.

REAÇÃO EUROPEIA E COLAPSO DA OTAN

O episódio provocou uma reação coordenada. França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que qualquer decisão sobre o futuro do território deve ser tomada exclusivamente por dinamarqueses e groenlandeses. O texto também reforça que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, foi ainda mais direta ao alertar que um eventual ataque dos Estados Unidos à Groenlândia poderia significar o colapso da própria Otan. Segundo ela, uma ação militar entre países-membros colocaria em risco toda a arquitetura de segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Paralelamente, a Dinamarca anunciou investimentos de 42 bilhões de coroas dinamarquesas para reforçar sua presença militar no Ártico.

"FANTASIAS DE ANEXAÇÃO"

Do lado groenlandês, a resposta também foi dura. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen usou as redes sociais para condenar o que chamou de “pressão” e “fantasias de anexação”, reforçando que o futuro da ilha cabe exclusivamente à sua população. Protestos contra a postura dos Estados Unidos já foram registrados no território, refletindo o temor de que a Groenlândia se torne palco de disputas entre grandes potências.

Além do fator militar, pesam os interesses econômicos. A Groenlândia é rica em minerais estratégicos e possui potencial para exploração de petróleo e gás natural, embora esta última seja proibida por razões ambientais. A extração mineral, por sua vez, enfrenta resistência de povos indígenas e restrições impostas pelo governo local.

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