A América do Sul ganhou grande repercussão internacional na última semana, além da tensão entre a Venezuela e os Estados Unidos, já que um acordo histórico foi acertado entre dois grandes blocos econômicos.
O tratado que prevê a criação da maior área de livre comércio do mundo, com alcance estimado de cerca de 700 milhões de pessoas, vem sendo descrito pela imprensa internacional como um marco econômico e geopolítico. Ao mesmo tempo, o acordo já provoca tensões e protestos em diferentes países, especialmente na Europa.
O jornal The New York Times destacou o que chamou de “forte contraste” entre a assinatura do acordo e a recente escalada de agressividade do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o veículo, enquanto a Europa buscava ampliar uma era de cooperação econômica, Washington intensificava ações de coerção, como ataques à Venezuela, a prisão do então presidente Nicolás Maduro e ameaças direcionadas à Colômbia, Cuba e até à Groenlândia.
Para o jornal americano, a postura agressiva de Trump e a adoção de guerras comerciais acabaram, em certa medida, contribuindo para selar o acordo entre a União Europeia e seus parceiros, ao reforçar a busca europeia por alianças mais estáveis.
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Na mesma linha, o site Politico.eu classificou o tratado como “uma grande vitória geopolítica”, especialmente diante do crescimento da influência da China na América Latina e do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O portal ressaltou que o acordo surge em um momento em que tanto a Europa quanto países como o Brasil buscam maior previsibilidade econômica.
O espanhol El País definiu o tratado como a “joia da coroa” da política europeia, destacando sua importância para a credibilidade internacional da União Europeia. Segundo o jornal, mais do que um acordo comercial, o pacto coloca em jogo a capacidade do bloco de firmar alianças e ampliar sua rede geoeconômica em meio às turbulências do cenário internacional.
Já o também espanhol El Mundo apontou o acordo Mercosul–União Europeia como um “importante impulso” político para líderes que apostaram fortemente no tratado, entre eles a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez.
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Apesar do entusiasmo de parte das lideranças, o acordo enfrenta resistência interna na Europa. O Irish Times observou que, embora o tratado abra um amplo mercado para produtores europeus, há forte oposição de agricultores, especialmente do setor de carnes. O receio é de que produtores locais sejam prejudicados pela entrada de carne mais barata, sobretudo do Brasil e da Argentina, que poderia não seguir os rigorosos padrões ambientais exigidos na União Europeia.
O britânico The Guardian também destacou o aumento das tensões com agricultores e ambientalistas em países como França, Polônia, Grécia e Bélgica, onde protestos e críticas ao acordo já ganham força.
Na América Latina, a repercussão foi majoritariamente positiva. O jornal argentino Clarín avaliou o tratado como um sinal estratégico favorável para a Argentina, afirmando que o acordo permitirá a expansão de mercados, a eliminação de tarifas em diversos setores e regras mais claras para a inserção global dos produtos do país.
No Uruguai, o El Observador classificou a aprovação do acordo como “histórica” e destacou manifestações entusiasmadas de políticos uruguaios nas redes sociais, que descreveram a oportunidade como “extraordinária” e “fabulosa” para o futuro econômico do país.
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