Em momentos de turbulência institucional, as paredes dos palácios costumam guardar silêncios que dizem mais do que discursos oficiais. No entanto, quando investigações avançam e nomes outrora protegidos passam a frequentar relatórios policiais, o peso simbólico da tradição se choca com a força implacável dos fatos. Foi nesse ambiente de constrangimento e desgaste que uma nova reviravolta atingiu o coração da monarquia britânica.
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso nesta quinta-feira (19), dia de seu aniversário de 66 anos, suspeito de má conduta no exercício de cargo público, segundo confirmou a polícia britânica. Ele permanece sob custódia, enquanto agentes realizaram buscas em propriedades associadas a ele nas regiões de Berkshire e Norfolk. A detenção ocorre no contexto das investigações ligadas ao financista americano Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.
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Irmão do rei Charles III e filho da falecida Elizabeth II, Andrew já havia sido afastado das funções públicas em 2019, quando sua ligação com Epstein ganhou repercussão mundial. Nos anos seguintes, perdeu títulos militares e honrarias, até ser definitivamente destituído de suas designações reais e deixar a residência oficial Royal Lodge por decisão do monarca.
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FOTOS, E-MAILS E PROXIMIDADE PERSISTENTE
A relação entre Andrew e Epstein passou a ser amplamente questionada após a divulgação de imagens do então príncipe na mansão do empresário em Nova York, em 2010. Embora Andrew tenha afirmado que encerrou a amizade naquele período, mensagens reveladas posteriormente sugerem que o contato continuou.
Entre os documentos, há e-mails trocados com alguém identificado como "O Duque", nos quais Epstein menciona apresentar uma jovem ao britânico e cita encontros com elevado grau de privacidade, incluindo um jantar no Palácio de Buckingham. Embora não comprovem ilegalidade direta, as mensagens reforçaram o nível de proximidade entre os dois após a condenação do financista.
Arquivos mais recentes divulgados por autoridades americanas também trouxeram novas imagens atribuídas a Andrew em situações íntimas com mulheres não identificadas. O contexto, porém, não foi esclarecido oficialmente.
ACUSAÇÕES E ACORDO JUDICIAL
O nome do ex-príncipe também esteve no centro das acusações feitas por Virginia Giuffre, que afirmou ter sido abusada sexualmente por ele quando ainda era menor de idade. Andrew sempre negou as alegações, mas optou por um acordo extrajudicial em 2022, encerrando o processo civil sem admitir culpa.
Outro elemento que pesou contra ele foi a menção em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que indicavam que Andrew poderia ter sido testemunha ou participante de eventos relacionados à atuação dE Ghislaine Maxwell, condenada por recrutar menores para Epstein.
Além disso, surgiram suspeitas de que Andrew teria compartilhado informações confidenciais com o financista durante o período em que atuou como enviado comercial britânico na Ásia. ponto central da investigação atual que culminou em sua prisão.
REPERCUSSÃO E PRESSÃO INTERNA
O episódio amplia a crise que há anos corrói a imagem pública da família real. Integrantes da nova geração, como o príncipe William e Kate Middleton, manifestaram preocupação com as revelações, refletindo o impacto institucional das denúncias.
A prisão marca um dos momentos mais delicados da história recente da monarquia britânica e representa uma queda simbólica sem precedentes para um homem que já ocupou posição de destaque no núcleo do poder real.
Andrew, por meio de seus representantes, voltou a negar qualquer irregularidade. Entretanto, desta vez, o caso deixou de ser apenas um escândalo de reputação e passou a ser uma questão de polícia.
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