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NOS EUA

Maduro enfrenta nova audiência sob acusações de narcotráfico

Processo judicial contra Nicolás Maduro e Cilia Flores avança em Nova York após mais de 80 dias de detenção.

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Imagem ilustrativa da notícia Maduro enfrenta nova audiência sob acusações de narcotráfico camera Nicolás Maduro aparece vendado e sob custódia de agentes norte-americanos logo após sua captura, durante operação militar dos EUA em Caracas, no dia 3 de janeiro de 2025. | Reprodução/Truth Social

Em meio a tensões diplomáticas, disputas jurídicas e um cenário internacional cada vez mais sensível, a Justiça norte-americana volta seus olhos para um caso que mistura política, crime e geopolítica. Nesta quinta-feira (26), um novo capítulo se desenha em território dos Estados Unidos, com desdobramentos que podem impactar não apenas os envolvidos diretos, mas também as relações entre países.

O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, participam da segunda audiência do processo judicial que enfrentam no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. Ambos respondem a acusações ligadas ao narcotráfico internacional, em um caso que pode resultar em penas que somam décadas de prisão.

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O QUE ESTÁ EM JOGO NA AUDIÊNCIA

A audiência ocorre após mais de 80 dias de detenção do casal no sistema prisional dos Estados Unidos e deve abordar questões processuais importantes antes de um eventual julgamento. Trata-se de uma etapa de instrução, em que o juiz avalia pontos preliminares, como regras para apresentação de provas, financiamento da defesa, pedidos das partes e diretrizes para o andamento do processo.

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O responsável pelo caso é o juiz federal Alvin Hellerstein, que também conduziu a primeira audiência. Na ocasião, realizada em 5 de janeiro, poucos dias após a captura em Caracas, Maduro e Flores se declararam inocentes e optaram por não solicitar liberdade sob fiança. Questões sobre a legalidade da prisão ficaram para discussão posterior.

AS ACUSAÇÕES E A ESTRATÉGIA DA DEFESA

As acusações contra o casal têm como base uma denúncia apresentada inicialmente em 2020 nos Estados Unidos. Entre os crimes listados estão narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de armamento pesado, lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa internacional. Autoridades americanas afirmam que Maduro teria ligação com redes globais de tráfico de drogas.

A defesa, por sua vez, tenta o arquivamento do caso e sustenta que houve violação de direitos constitucionais, além de apontar dificuldades para custear a defesa em razão de sanções internacionais impostas ao regime venezuelano.

CONDIÇÕES DE DETENÇÃO E ROTINA NA PRISÃO

Desde a prisão, Maduro e Flores estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, uma unidade federal conhecida por críticas recorrentes. Relatos apontam condições insalubres, superlotação, problemas estruturais e falhas no atendimento médico e de saúde mental.

Especialistas indicam que presos com perfil semelhante ao de Maduro costumam ser mantidos na Unidade de Habitação Especial (SHU), considerada o setor mais restritivo da instalação. Segundo o ex-diretor da unidade, Cameron Lindsay, a rotina pode incluir até 23 horas diárias de confinamento solitário, com contato mínimo com outros detentos.

Além disso, o casal permanece separado dentro da prisão. As regras do sistema federal determinam que homens e mulheres fiquem em alas distintas, e, em casos com corréus, podem ser impostas ordens de não contato. Isso impede qualquer comunicação direta entre eles, exceto em situações controladas e na presença de advogados.

FAMÍLIA E MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS

Mesmo diante das restrições, o filho do casal, Nicolás Maduro Guerra, afirmou recentemente que o pai segue "forte" e mantém uma rotina de exercícios, podendo até apresentar mudanças físicas.

Ele também destacou a postura firme de Cilia Flores diante do processo, a definindo como um "primeiro combatente, firme e alerta".

A OPERAÇÃO QUE LEVOU À PRISÃO

A prisão de Maduro ocorreu em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos em Caracas. A ação, realizada de madrugada, foi classificada por Washington como uma operação policial, mas gerou forte reação internacional e levantou questionamentos jurídicos sobre sua legalidade, especialmente pelo uso de força em território estrangeiro.

O então presidente Donald Trump vinha pressionando Maduro a deixar o poder e o acusava de apoiar cartéis de drogas considerados organizações terroristas pelos EUA, responsabilizando-os por milhares de mortes relacionadas ao consumo de entorpecentes no país.

PRÓXIMOS PASSOS DO PROCESSO

A audiência desta quinta-feira não encerra o processo, mas representa uma etapa decisiva. Caberá ao juiz definir se o caso seguirá para julgamento, como serão tratadas as provas e se há base para pedidos da defesa, incluindo o possível arquivamento.

Até lá, Maduro e Flores permanecem sob custódia nos Estados Unidos, enquanto o caso continua a se desenrolar sob atenção internacional.

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