Um brasileiro apontado pelas autoridades norte-americanas como ex-comandante das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foi preso nos Estados Unidos após uma perseguição policial na Carolina do Norte.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido pelo apelido de "Don", foi detido no dia 5 de junho por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Segundo o governo americano, ele estava em situação migratória irregular e teria entrado no país de forma clandestina, em local e data não informados.
As autoridades afirmam que Aquilla era alvo de um mandado internacional expedido pelo Brasil por crimes relacionados à associação criminosa e extorsão. Além disso, informações repassadas à polícia indicavam que ele mantinha a própria esposa em cárcere privado enquanto planejava fugir para o México.
Segundo o DHS, ao perceber a aproximação dos agentes, Aquilla tentou escapar em um veículo, iniciando uma perseguição pelas ruas da Carolina do Norte. A fuga terminou após ele colidir com carros estacionados. Em seguida, ainda tentou fugir a pé, mas foi alcançado e preso pelos agentes.
Apreensão de celulares, dinheiro e mais
Durante a operação, os policiais apreenderam diversos telefones celulares, computadores portáteis, quantias em dinheiro e uma pistola calibre 9 milímetros. Em depoimento, a esposa do brasileiro teria confirmado às autoridades que estava sendo mantida contra a própria vontade.
Embora o governo americano afirme que Aquilla era procurado internacionalmente, seu nome não aparece, até o momento, na lista pública de difusão vermelha da Interpol.
No Brasil, ele possui dois mandados de prisão registrados no Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ambos expedidos pela 3ª Vara Criminal Central do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O primeiro mandado, emitido em 2019, refere-se ao crime de coação no curso do processo. Já o segundo, expedido em 2024, está relacionado a uma condenação por extorsão qualificada. Em primeira instância, Aquilla foi sentenciado a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado.
As autoridades norte-americanas também destacaram que a prisão ocorreu no mesmo dia em que PCC e CV passaram a ser oficialmente classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras. A medida, anunciada anteriormente pelo governo americano, gerou reações negativas do governo brasileiro.
Brasília argumenta que a classificação pode abrir precedentes para ações unilaterais dos Estados Unidos sob a justificativa de combate ao terrorismo, além de contrariar a legislação brasileira, que diferencia organizações criminosas de grupos terroristas.
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Em nota, o agente especial Mark M. Zito, responsável pelas Investigações de Segurança Interna nas Carolinas do Norte e do Sul, afirmou que a prisão demonstra o compromisso das autoridades americanas no combate ao crime organizado internacional.
"Ao prender um líder conhecido de organizações terroristas estrangeiras violentas, procurado por crimes graves, incluindo associação criminosa e extorsão, evitamos novos danos a pessoas inocentes tanto nos Estados Unidos quanto no exterior", declarou.
Após a prisão, Aquilla foi encaminhado para uma unidade prisional local. Ele deverá responder, inicialmente, por fuga para evitar prisão, porte ilegal de arma de fogo e sequestro, além de permanecer à disposição das autoridades para eventual processo de extradição ao Brasil.
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