
Os riscos químicos presentes em um local de trabalho podem ser absorvidos pelo organismo do trabalhador tanto pela via respiratória - nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, como pela absorção da pele ou por via digestiva, através da ingestão. Quando em contato prolongado e sem proteção a essas substâncias, o trabalhador fica exposto ao risco de desenvolvimento de uma série de sintomas e doenças, que vão desde náuseas e dores de cabeça, até câncer e enfermidades neurológicas. Daí o papel fundamental de ações preventivas e de controle em ambientes de trabalho que envolvem esse tipo de risco ocupacional.
Diretor da Sociedade Paraense de Medicina do Trabalho (SPMT), o médico do trabalho José Cincurá destaca que existem alguns exames que podem ser realizados para o acompanhamento da saúde do trabalhador que, em decorrência das características inerentes à sua função laboral, é exposto a riscos ocupacionais químicos. Elemento muito presente em ambientes como os da construção civil, por exemplo, a poeira é um tipo de risco químico que precisa ser considerado nas medidas de prevenção e promoção da saúde do trabalhador.
“Se é detectada a presença de poeira no ambiente de trabalho, esse trabalhador precisará fazer os exames complementares para acompanhamento de poeira, como, por exemplo, uma radiografia de tórax, uma espirometria (exame que avalia as condições pulmonares do paciente) para fazer um acompanhamento da saúde do trabalhador”, aponta, ao considerar que muitos outros exames podem e devem ser realizados periodicamente para o acompanhamento da saúde do trabalhador.
“Tem os riscos, também, de alguns produtos químicos específicos e a pessoa que está exposta a esses produtos tem que fazer exames para acompanhamento, inclusive num intervalo menor, ao invés de anualmente, pode fazer semestralmente”.
Para além da avaliação médica do trabalhador, as medidas também incluem a adequação do ambiente, o uso de equipamentos de proteção coletiva e individual, o correto preenchimento dos documentos de identificação das informações de segurança para produtos químicos etc.
Riscos
A Norma Regulamentadora Número 9 (NR-9) considera agentes químicos ‘as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão’. Exemplos de riscos mais frequentes nos ambientes de trabalho e seus efeitos sobre a saúde.
Químicos
Substâncias químicas que podem estar presentes nos ambientes de trabalho na forma de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores. Ex.: agrotóxicos.
Possíveis efeitos sobre a saúde:
Queimaduras, náusea, vômito, dor de cabeça, alergia, asma brônquica, câncer, doenças gástricas e intestinais, neurológicas, hepáticas, renais, entre outras. Também podem provocar acidentes decorrentes de explosões e incêndio. Elas penetram no organismo pela via respiratória, pela pele ou pelo trato digestivo provocando intoxicação aguda ou crônica.
Atividades que podem estar presentes
Inúmeras atividades na indústria e no setor de serviços, no setor agropecuário, silvicultura, madeireiro; empresas dedetizadoras e da saúde pública que atuam no controle de endemias e de zoonoses etc.
AÇÕES DE CONTROLE
Riscos Químicos
Nível de risco 4 - Eliminação ou substituição
O nível de risco 4, que indica urgência na necessidade de adoção de controles, implica ações como a eliminação do produto perigoso ou da condição de exposição como a maneira melhor e mais efetiva para prevenir ou reduzir os riscos. Por eliminação, entende-se a supressão de produtos químicos, processos ou equipamentos responsáveis pelo risco caracterizado.
Nos casos em que não é possível a eliminação, recomenda-se a substituição do produto químico, do processo ou do equipamento, mantendo-se as mesmas condições de aplicação/uso. Por substituição, entende-se a troca de produtos, processos, materiais e equipamentos por outros que ofereçam menor risco.
Nível de risco 3 - Controles de engenharia
O nível de risco 3 implica necessariamente a redução do risco e está associado com a implantação de controles de engenharia, através da adoção de medidas que diminuam a exposição, tais como segregação, enclausuramento ou sistemas de ventilação local exaustora (SVLE) que atuam na fonte e na propagação do agente químico.
Entre as medidas de controle estão a segregação ou enclausuramento da fonte; uso de ferramentas ao invés das mãos (relevante para exposição por contato direto, por exemplo, imersão); ventilação (relevante, principalmente para exposição a partículas sólidas ou líquidas, suspensas ou dispersas no ar).
Nível de risco 2 - Controles administrativos
O nível de risco 2 está associado com a implantação de controles administrativos, sendo recomendável reduzir o risco através da adoção de medidas como capacitação, implantação de procedimentos operacionais padrão, redução na quantidade utilizada de produtos químicos e redução da duração e da intensidade da exposição, redução da área exposta; capacitação; implantação de procedimentos operacionais; limpeza das superfícies e ferramentas contaminadas.
Nível de risco 1 - Proteção individual
Se a avaliação conduzida resultou no nível de risco 1, significa que o risco é mínimo e que não são necessárias medidas de controle de engenharia e organizacionais adicionais às já implantadas. Deve-se, entretanto, manter atenção aos controles existentes (inclusive revisando periodicamente), somando a eles os cuidados básicos de proteção individual pelo uso de EPIs adequados. Os EPIs são essencial e especialmente críticos quando os controles de engenharia se mostrarem inadequados ou insuficientes, como medida temporária no caso de manutenção dos controles de engenharia; ou, ainda, em situações de emergência.

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