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REPORTAGEM ESPECIAL

PCDs na Mineração: inclusão gera conquistas no Pará

Reportagem especial do DOL mostra que no Pará, as empresas estão começando a entender que precisam assumir a responsabilidade de investir na diversidade e inclusão.

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Imagem ilustrativa da notícia PCDs na Mineração: inclusão gera conquistas no Pará camera Siderúrgica Norte Brasil (Sinobrás), no Pará, celebra conquistas da inclusão no mercado de trabalho. | Emerson Coe/DOL

Preconceitos, estigmas, discriminações, resistências, barreiras físicas e até mesmo as “invisíveis”, presentes em normas e ausência de políticas específicas. Roberta, Ronigleicy e Moisés, funcionários da Siderúrgica Norte Brasil S.A. (Sinobras), em Marabá, sudeste do Pará, conhecem muito bem essa realidade e os desafios da inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) no mercado de trabalho. No entanto, também conhecem as conquistas.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que mais de um bilhão de pessoas no mundo possuem algum tipo de deficiência. Para esta grande camada da população, as barreiras enfrentadas muitas vezes começam cedo. Os desafios são tantos que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 45% dos meninos e 32% das meninas completam o ensino primário em países em desenvolvimento.

Em cadeia, isto provoca o aumento do custo de vida em, pelo menos, um terço. Os dados refletem ainda, que mais de 50% das pessoas com deficiência não conseguem pagar por serviços de saúde.

É, caros leitores, o contexto é complexo e preocupante: as oportunidades de empregos são escassas e o custo de vida é alto para uma camada da população que precisa de mais cuidados com a saúde. Não por acaso, a situação, por vezes, torna-se angustiante.

“Eu estava no meu limite. Tomava remédios controlados, perdi 80% dos meus movimentos gradativamente”. O desabafo desesperador é de Roberta Duarte Oliveira, 43 anos, analista de benefícios e RH da Sinobras. Foi justamente na empresa, ligada ao Grupo Aço Cearense, do Estado do Ceará, que ela conseguiu estímulo, investimento e benefício para voltar a ter qualidade de vida.

Roberta nasceu com uma má formação no fêmur. Após perder os movimentos, foi na empresa em que trabalha até hoje, que enxergou um sinal de esperança. Através de um benefício oferecido, ela conseguiu passar por uma cirurgia complexa, de implante de uma prótese de quadril.

Só o raro procedimento pelo qual Roberta passou não foi suficiente. Ela ainda teve que reaprender a andar após passar por dois meses em reabilitação. Os desafios sempre foram constantes na vida de Roberta, mas ela nunca deixou de lutar por direitos básicos, seja o de viver bem pi de ter um bom trabalho e respeito na sociedade.

AVANÇOS NA PROMOÇÃO DA INCLUSÃO

Para a superação de desafios, é fundamental para muitas pessoas com deficiência a chamada “Lei de Cotas”, que completou 30 anos no dia 24 de julho de 2021. A lei estabelece uma porcentagem de vagas para pessoas com deficiência em empresa com 100 ou mais funcionários.

Segundo relatório da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério da Economia, atualmente são 372 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Entre 2015 e 2019, houve um aumento significativo de 12,42% nas contratações. O percentual maior de trabalhadores com deficiência contratados para as vagas está nas empresas privadas, com 52,48%.

Inserido neste contexto está Ronigleicy Oliveira Alencar, 37 anos, que trabalha há 10 anos na Sinobras e atualmente ocupa o cargo de Mantenedor Mecânico III.

Ele nasceu com deficiência auditiva. Quando criança, por volta dos 7 para 8 anos, o quadro começou a se agravar, até que ele precisou usar aparelho para facilitar seu processo de escuta e compreensão do mundo. Ronigleicy Oliveira Alencar ainda tentou fazer cirurgia, mas recebeu o diagnóstico dos médicos que dava conta de que nada iria adiantar para resolver definitivamente seu caso.

Ainda assim, ele prosseguiu em seu desenvolvimento pessoal e profissional e hoje nota a importância de políticas públicas que garantam a igualdade de oportunidades, como é o caso da Lei de Cotas, fundamental para minimizar a discriminação, além de ressaltar a importância da inclusão e a garantia da cidadania para os PCDs.

Além da Lei de Cotas, o direito ao trabalho para a pessoa com deficiência está garantido em tratados e normas internacionais da Organização Internacional do Trabalho e das Nações Unidas. Contudo, não basta contratar apenas para cumprir cota. É preciso investimento em acessibilidade estrutural e funcional, além de promover campanhas de sensibilização dentro das empresas, como ocorre na Sinobras.

INCLUSÃO RIMA COM TRANSFORMAÇÃO

Foi graças ao trabalho e à integração com outras pessoas que Moisés Oliveira Melo, 56 anos, Mantenedor Mecânico II na Sinobras há 18 anos, primeiro em Tocantins e depois no Pará, adquiriu independência, autonomia e confiança, fundamentais para seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Moisés sofreu um acidente na empresa anterior em que trabalhava e teve dois dedos da mão esquerda amputados após serem prensados em uma máquina. Na época, ele não teve nenhum tipo de apoio ou auxílio.

Já na empresa – ou poderíamos dizer casa? – nova, de portas abertas, ele encontrou o acolhimento e o respeito que precisava e merecia. Oportunidades oferecidas e que passaram de pai para filho, e hoje, eles dividem a experiência de trabalharem juntos.

A Lei de Cotas (Lei 8.213/1991) e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015, garantem o direito ao trabalho às pessoas com algum tipo de deficiência física, sensorial, intelectual ou mental. Ou seja, empresas que possuem 100 ou mais funcionários devem preencher de 2% a 5% de suas vagas com pessoas com deficiência. As que descumprirem as obrigações da Lei de Cotas estão sujeitas a punições.

Entretanto, independentemente da exigência de cotas, Admilson Rocha, consultor interno de RH da Sinobras, reconhece a importância da inclusão e inserção de PCDs no mercado de trabalho.

“Respeitamos a diversidade e valorização a comunicação transparente. Contratamos colaboradores independente de raça, gênero, cor, religião e opinião política e esse contraste possibilita novas experiências, contribuindo para um ambiente mais democrático”, destaca.

Admilson Rocha, consultor interno de RH da Sinobras, destaca a importância da inclusão.
📷 Admilson Rocha, consultor interno de RH da Sinobras, destaca a importância da inclusão. |Reprodução

Integrando o Grupo Aço Cearense, que possui mais de 42 anos de atuação no mercado brasileiro, e atualmente conta com 1.300 colaboradores, a Sinobras - primeira siderúrgica integrada das regiões Norte e Nordeste - contribui há 15 anos com o desenvolvimento do Pará e de toda a região Norte.

“Atualmente, contamos com mais de 60 profissionais PCDs distribuídos em posições administrativas, operacionais e técnicas. Continuaremos evoluindo no propósito de crescimento da região e de nosso país através de oportunidades iguais, pois para a Sinobras: a força de cada um constrói o desenvolvimento de todos”, finaliza o consultor interno de RH.

PCDs na Mineração: inclusão gera conquistas no Pará
📷 |Emerson Coe/DOL

INICIATIVAS VÃO ALÉM

Como parte dos objetivos do grupo, está o desenvolvimento na área social, cultural e econômica, apoiando entidades do terceiro setor, que estão engajadas com esporte, empreendedorismo e assistência a crianças, jovens e idosos.

Atualmente, o grupo apoia 27 instituições, beneficiando 19.892 pessoas de forma direta e indireta, direcionando mensalmente aproximadamente R$ 154 mil para o trabalho social.

Uma das instituições beneficiadas no Pará está a Associação de Pais e Amigos Excepcionais (APAE) de Marabá, que atua na promoção de ações de defesa de direitos, prevenção, orientações e prestação de serviços para pessoas com deficiência.

Assim como em Marabá, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Belém (APAE) de Belém foi fundada em novembro de 1962, com o objetivo de atender pessoas com deficiência mental.

A associação também atende pessoas com deficiência intelectual e múltipla, denominação correta para as pessoas atendidas, segundo a psicóloga Idaisa do Socorro Sales Novaes, que também é especialista em Neurociências e Mestra em Teoria e Pesquisa do Comportamento.

Atualmente, a APAE de Belém atende cerca de 500 usuários, no período da manhã e tarde. Entre as deficiências mais comuns atendidas em Belém, estão: Síndrome de Down; paralisia (lesão) cerebral; doenças raras e autismo.

Inclusão como propósito e prática. Esse é o objetivo da APAE, através do Programa de Trabalho, Emprego e Renda, realizado em Belém. Através deles, segundo a psicóloga, os usuários aptos a ingressarem no mercado de trabalho passam por uma avaliação do perfil vocacional.

“Diante disso, trabalhamos atividades complementares (conscientização da própria deficiência pelos usuários, normas de trabalho, direitos e deveres junto às empresas, etc), visando uma melhor adaptação ao mercado de trabalho”, explica Idaisa.

Já na inclusão da pessoa com deficiência em uma empresa, a APAE adota a metodologia do “Emprego Apoiado”, cujo lema é incluir e treinar no próprio local de trabalho.

Psicóloga da APAE de Belém reconhece as conquistas da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
📷 Psicóloga da APAE de Belém reconhece as conquistas da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. |Reprodução

Para a Mestra em Teoria e Pesquisa do Comportamento, os maiores obstáculos enfrentados pelas pessoas com deficiência estão o preconceito e a crença de que são incapazes de exercerem qualquer tipo de trabalho. Para ela, as empresas deveriam investir no potencial do trabalhador deficiente, pois surpreendem em requisitos como motivação, assiduidade e prestatividade.

“As empresas garantindo a inclusão de pessoas com deficiência, estão exercendo sua responsabilidade social, principalmente quanto à diversidade, além de proporcionar um ambiente igualitário, de convivência mútua entre seus funcionários”, frisa a especialista.

A Mestra em Teoria e Pesquisa do Comportamento ressalta que os desafios ainda são grandes e muita coisa ainda precisa mudar. Mas, para ela, há um grande avanço que precisa ser comemorado e, como se nota, a Sinobras contribui para isto.

“Ainda se pode melhorar muito, mas as conquistas estão no âmbito pessoal dos usuários, pois tornam-se independentes, com autonomia e autogestão, bem como contribuem financeiramente com suas famílias”, finaliza a psicóloga, apontando para um futuro não apenas de respeito e investimento, mas melhorias em que a inclusão gere conquistas e avanços aos PCDs no Pará.

Reportagem: Andressa Ferreira

Direção e edição: Enderson Oliveira

Edição de vídeos e multimídia: Emerson Coe

Coordenação Sênior: Ronald Sales

Coordenação Executiva: Mauro Neto

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