Todo começo de ano carrega uma simbologia de recomeço, mas, para muitas famílias brasileiras, janeiro costuma chegar acompanhado de um peso extra no bolso. Entre expectativas renovadas e contas acumuladas, o primeiro mês do calendário se impõe como um teste de resistência para o orçamento doméstico, especialmente quando os gastos de dezembro ainda não foram totalmente absorvidos.
Historicamente, janeiro concentra despesas elevadas e previsíveis que pressionam o orçamento das famílias. Em 2026, esse cenário se repete: impostos, taxas e compromissos anuais se acumulam logo após um período marcado por festas, viagens e consumo elevado, formando um quadro de fragilidade financeira logo nos primeiros dias do ano.
CONTEÚDO RELACIONADO
- VÍDEO: Acidente entre veículos deixa idosa ferida na João Paulo II
- VÍDEO: Protesto interdita trecho da BR-316 e deixa trânsito lento
- Pronto Socorro de Ananindeua segue subutilizado e distante da promessa feita à população
Mesmo quem mantém algum nível de organização sente o impacto. Isso porque janeiro não se comporta como um mês comum: reúne despesas fixas de alto valor que exigem planejamento prévio e reserva específica. Quando essa preparação não existe, o resultado pode ser uma verdadeira "tempestade financeira", marcada por atrasos, parcelamentos e novos endividamentos.
Quer mais notícias locais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
De acordo com o administrador e professor da Estácio, Fernando Neto, o fator comportamental pesa tanto quanto o econômico. "Muitas pessoas tratam janeiro como um mês normal, quando, na prática, ele é o mais caro do ano. IPTU, IPVA, seguro do carro, matrícula e material escolar, além de mensalidades diversas, acabam sendo pagos sem planejamento, muitas vezes com crédito", explica. Segundo ele, isso abre espaço para o uso excessivo do cartão, cheque especial e outras modalidades de juros elevados.
A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO
Planejar-se não elimina os gastos, mas reduz seus impactos. Alguns sinais indicam que a família já começou o ano em risco financeiro: quando o salário não cobre todas as despesas de janeiro, há uso frequente do crédito rotativo, contas que antes eram pagas à vista passam a ser parceladas ou surge a sensação constante de dinheiro curto logo no início do mês. Diante desses indícios, a reorganização financeira se torna urgente.
Uma estratégia eficiente passa pelo mapeamento das despesas fixas e previsíveis, separando o que é essencial do que pode ser adiado ou ajustado. Trabalhar com a renda real, criar um calendário financeiro anual e definir prioridades - como moradia, educação e quitação de dívidas - são passos fundamentais para manter o equilíbrio do orçamento.
EFEITO "BOLA DE NEVE"
Para quem busca começar, métodos simples ajudam. Classificar os gastos entre despesas essenciais, obrigações financeiras e gastos flexíveis permite identificar excessos e corrigir desequilíbrios. Mais do que ferramentas sofisticadas, o controle financeiro depende de disciplina e constância.
Fernando Neto destaca ainda cuidados básicos para evitar o efeito "bola de neve" das dívidas: não pagar apenas o mínimo do cartão de crédito, priorizar débitos com juros mais altos, negociar antes de parcelar novas contas e monitorar gastos variáveis do dia a dia, como delivery e pequenas compras.
HÁBITOS FINANCEIROS SAUDÁVEIS
Planilhas, aplicativos ou anotações manuais podem funcionar igualmente bem, desde que usados com regularidade. "O formato não é o mais importante. Sem o hábito de registrar os gastos diariamente por pelo menos 30 dias, nenhum método se sustenta", reforça.
Adotar hábitos financeiros saudáveis já em janeiro pode definir o tom de todo o ano. Diagnosticar a situação real, estabelecer limites para o crédito, priorizar o pagamento de dívidas e revisar as contas semanalmente são medidas que ajudam a transformar o dinheiro de fonte de ansiedade em instrumento de segurança. Como resume o especialista: "Planejamento financeiro não é sobre quanto se ganha, mas sobre como se organiza. Pequenas decisões diárias fazem toda a diferença".
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar