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GESTÃO CULTURAL

Carnaval em contraste: quando a cultura avança em Belém e regride em Ananindeua

Artigo mostra a lacuna carnavalesca e escancara o contraste entre Belém e Ananindeua.

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Imagem ilustrativa da notícia Carnaval em contraste: quando a cultura avança em Belém e regride em Ananindeua camera O Carnaval de 2026 escancarou um contraste incômodo, e revelador, entre Belém e Ananindeua. | Ygor Negrão/Prefeitura de Belém e Celso Rodrigues/Diário do Pará

O Carnaval de 2026 escancarou um contraste incômodo, e revelador, entre dois municípios vizinhos. De um lado, Belém entregou um Carnaval organizado, plural e vibrante, capaz de mobilizar bairros, distritos e a economia criativa local. Do outro, Ananindeua amargou um vazio cultural que transformou sua tradicional Arterial 18 (por décadas o coração da folia) em um cenário às moscas. Para disfarça a lacuna carnavalesca, a Prefeitura de Ananindeua organizou um pífio festival de aparelhagens no ginásio do Abacatão nos primeiros dias de fevereiro.

Em Belém, o Carnabelém 2026 mostra que política pública bem planejada faz diferença. A programação se espalhou pela cidade, combinando desfiles oficiais, atrações populares, blocos, trios, aparelhagens e iniciativas comunitárias. Houve circulação de renda, ocupação dos espaços públicos, segurança e, sobretudo, respeito aos fazedores de cultura. O resultado foi imediato: ruas cheias, turistas, autoestima elevada e uma narrativa positiva para a capital.

FALTA DE DIÁLOGO

Em Ananindeua, porém, o Carnaval expôs feridas antigas. A crise política que ronda a gestão do prefeito Daniel Santos, somada a denúncias que fragilizam a credibilidade do governo, cobrou seu preço. A ausência de uma programação consistente e a falta de diálogo com o setor cultural produziram um efeito devastador: o esvaziamento da principal artéria da festa. Onde antes havia cor, música e tradição, restou silêncio.

Não se trata apenas de agenda. Trata-se de confiança. Produtores culturais e quadrilhas ainda sentem os efeitos do não pagamento no ano passado, uma dívida simbólica e material que minou a capacidade de mobilização para 2026. Sem garantias, sem previsibilidade e sem valorização, a cadeia cultural recua. O Carnaval, que depende de planejamento e compromisso, não nasce do improviso e muito menos da desatenção.

PESOS NA BALANÇA

A comparação é inevitável. Enquanto Belém investe, coordena e entrega, Ananindeua hesita, falha e apaga uma tradição. A cultura não é ornamento; é política pública estruturante. Quando negligenciada, o resultado aparece nas ruas vazias. Quando tratada com seriedade, como em Belém, vira festa, renda e pertencimento.

O Carnaval 2026 deixa uma lição clara para a Região Metropolitana: gestão importa. Valorizar artistas, pagar quem produz, planejar com antecedência e ouvir a cidade não é favor; é dever. Belém fez o dever de casa. Ananindeua, infelizmente, ficou para a recuperação.

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