A mudança no comando da Prefeitura de Ananindeua trouxe novamente à tona um processo judicial que ainda aguarda desfecho. Com a saída do prefeito Daniel Santos, o vice, Hugo Fernando de Souza Atayde, assumiu o cargo em meio a uma investigação que apura crimes graves e, há anos, não apresenta avanços significativos.
O atual gestor é réu em uma ação do Ministério Público do Pará que trata de acusações de tortura e associação criminosa armada. O processo, que tramita no Tribunal de Justiça do Estado, acumula milhares de páginas e enfrenta paralisações sucessivas, motivadas por mudanças na condução da Promotoria.

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A investigação teve início em 2019, após um furto. Segundo o Ministério Público do Pará (MPPA), a apuração do caso teria ocorrido à margem dos procedimentos legais, com suspeitos sendo submetidos a agressões e intimidações. As prisões realizadas naquele contexto foram posteriormente anuladas pela Justiça. O caso ganhou maior repercussão após a morte de um dos suspeitos, executado semanas depois. Elementos reunidos durante a investigação indicaram possível participação de agentes de segurança e uso de munições de uso restrito.
Segundo denúncia apresentada pelo MPPA, Atayde era apontado como líder do grupo de extermínio envolvido no crime, sendo apontado como um dos envolvidos na tortura e morte do suspeito do furto. Ainda de acordo com o Ministério Público, a milícia teria coagido uma adolescente de 16 anos a revelar o paradeiro de um dos envolvidos no furto. O jovem então teria sido detido, torturado e, posteriormente, executado com tiros disparados por munição da Polícia Militar, em um carro pertencente a uma policial militar. Além do homicídio, o grupo é acusado de divulgar imagens nas redes sociais para associar Matheus ao Comando Vermelho, numa tentativa de justificar o assassinato.
Embora o Tribunal do Júri tenha rejeitado a acusação de homicídio contra Atayde, os processos por tortura e associação à milícia seguiram tramitando normalmente na Justiça comum.
Ainda em 2019, Hugo Atayde chegou a ser preso durante a Operação Anonymous II, que combatia a atuação de grupos de extermínio. Ela chegou a ser considerado foragido da Justiça, se entregando um dia após a operação ser deflagrada. Ele ficou sob custódia em uma unidade penitenciária, posteriormente seguindo para prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
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O processo segue ainda em análise. A nova configuração política no município reacende o debate sobre o andamento do caso e reforça a cobrança por respostas das autoridades.
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