Quando se pensa em “múmia”, a primeira imagem que vem em mente é a daquela figura tenebrosa com o corpo todo enfaixado em um sarcófago empoeirado no meio do Egito. Mas não é preciso ir tão longe para encontrar um exemplar de múmia. O Laboratório de Anatomia Funcional, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará é a morada de uma múmia um tanto diferente dessas que se vê em filmes de terror e aventura.
Sentada de forma descontraída em um banquinho, a múmia, com 1,80m, é o único exemplar mantido pela Universidade. Segundo a Coordenadora do Laboratório, Roseane Borner, a peça, que regula entre 15 e 20 anos faz parte de um antigo acervo da Universidade. “Tínhamos cerca de 15 cadáveres aqui, mas que estavam em má conservação. Este foi o único que conseguimos recuperar. É uma peça extremamente antiga que foi dissecada, lixada, embalsamada, envernizada e recebeu aplicação de um produto antifúngico para manter a conservação”, explica.
Segundo a coordenadora, esta técnica de conservação serve para manter as características morfológicas da peça. Embora tenha sido dissecada, a múmia mantém órgãos importantes para estudos acadêmicos. “Toda essa parte preta são músculos e pele. Podemos verificar os ossos, os músculos intercostais e todos os ligamentos. No crânio aberto podemos ver as cavidades cerebrais, as meninges, a foice, além dos outros membros que podem ser estudados durante as aulas de anatomia”.
Para evitar a proliferação de fungos, a cada quinze dias a múmia toma um banho de sol na área verde da universidade, despertando muita curiosidade. “As pessoas ficam impressionadas, vêm ver de perto”, diverte-se a coordenadora.
Embora já faça parte do acervo do laboratório há tanto tempo, Roseane Borner afirma que ninguém sabe quem é a múmia. “Não sabemos o nome da pessoa, provavelmente era algum indigente. Só sei que era um homem e que morreu há cerca de 20 anos”, afirma.
Roseane afirma que há muita dificuldade em encontrar doadores de órgãos e corpo para estudos. A Universidade pretende fechar convênio com o Instituto Médico Legal e adquirir outros cadáveres para estudos ou mesmo múmias. A ideia é colocá-los em uma exposição com outras peças do acervo. “As peças que nós temos aqui fazem parte de um antigo museu de anatomia. Queremos expandir o acervo e fazer uma exposição”. Informações sobre doação de órgãos para estudos estão no site da Sociedade Brasileira de Anatomia (www.sbanatomia.org.br/).
(Diário do Pará)
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