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FRAUDES DIGITAIS

Perícia audiovisual e IA ampliam desafios da ciência forense no Pará

Polícia Científica do Pará intensifica análises de imagens, vídeos e áudios para identificar manipulações digitais e combater deepfakes

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Imagem ilustrativa da notícia Perícia audiovisual e IA ampliam desafios da ciência forense no Pará camera Perícia audiovisual da Polícia Científica do Pará utiliza tecnologia avançada para identificar manipulações em imagens, vídeos e áudios. | Divulgação/PCPA

Em tempos em que a realidade parece disputar espaço com versões fabricadas por algoritmos, distinguir o que é verdadeiro do que foi criado artificialmente tornou-se um dos maiores desafios da era digital. A velocidade com que vídeos, imagens e áudios circulam pelas redes sociais e aplicativos de mensagens transformou o ambiente virtual em terreno fértil para fraudes, desinformação e manipulações sofisticadas. Nesse cenário, cresce a importância silenciosa de um trabalho técnico realizado longe dos holofotes, mas essencial para garantir a autenticidade das provas utilizadas pela Justiça.

No Pará, as perícias audiovisuais conduzidas pela Polícia Científica do Pará (PCIPA) vêm ganhando protagonismo diante do avanço da inteligência artificial generativa e das ferramentas de edição digital. O núcleo especializado atua na análise de conteúdos audiovisuais utilizados em investigações criminais, buscando identificar adulterações, montagens e sinais ocultos que passam despercebidos ao olhar comum.

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Em tempos de inteligência artificial e manipulações digitais cada vez mais sofisticadas, o trabalho da perícia audiovisual se tornou essencial no combate aos crimes digitais.
📷 Em tempos de inteligência artificial e manipulações digitais cada vez mais sofisticadas, o trabalho da perícia audiovisual se tornou essencial no combate aos crimes digitais. |Divulgação/PCPA

De acordo com o perito criminal e gerente do Núcleo de Perícia Audiovisual, Jânio Arnaud, os vestígios audiovisuais possuem características diferentes das evidências físicas tradicionais, já que estão escondidos em sinais digitais que exigem conhecimento técnico e ferramentas específicas para serem identificados.

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"É um importante ramo da criminalística que se tornou essencial na ciência forense moderna, em uma era marcada pela produção constante de imagens e áudios. Esse trabalho pericial vai além da simples observação de imagens ou escuta de áudios", explicou o coordenador.

A atuação envolve rigor técnico, conhecimento especializado e o uso de ferramentas tecnológicas avançadas capazes de identificar marcas silenciosas de fraude ou ação criminosa. "Na era da manipulação digital, para a perícia, a verdade não está apenas no que se vê ou se ouve, mas no que pode ser comprovado tecnicamente", destacou o perito.

CRESCE DEMANDA POR VERIFICAÇÃO DE AUTENTICIDADE

O avanço da inteligência artificial e das manipulações digitais provocou aumento na demanda por perícias sobre conteúdos audiovisuais.
📷 O avanço da inteligência artificial e das manipulações digitais provocou aumento na demanda por perícias sobre conteúdos audiovisuais. |Divulgação/PCPA

Com a popularização das inteligências artificiais capazes de criar vídeos, vozes e imagens sintéticas altamente realistas, aumentou significativamente o número de solicitações encaminhadas ao núcleo para verificar a autenticidade de materiais audiovisuais.

A Polícia Científica utiliza equipamentos eletrônicos e softwares especializados para analisar arquivos digitais, identificar possíveis adulterações e validar conteúdos que podem servir como prova em processos judiciais e investigações policiais.

"Mais recentemente, recebemos muitas solicitações para verificar se o material audiovisual é produto de manipulação ou adulteração, e esse tipo de requisição tem aumentado com o advento da IA. Em vários casos, se confirmou adulterações em imagens", ressaltou Jânio.

CASOS RECENTES ENVOLVERAM DEEPFAKE

Entre as ocorrências analisadas recentemente pelo Núcleo de Perícia Audiovisual, dois episódios envolvendo figuras públicas chamaram atenção dos investigadores. Conforme revelou o gerente do setor, os exames periciais identificaram o uso de inteligência artificial em ambos os materiais.

"Tivemos recentemente dois casos relacionados a pessoas públicas, em que se constatou a utilização de inteligência artificial, sendo um caso de deepfake e outro de vídeo sintético gerado por inteligência artificial generativa", revelou o gerente do núcleo.

COMBATE À DESINFORMAÇÃO

Diante da crescente dificuldade de diferenciar conteúdos reais de materiais manipulados digitalmente, a atuação da Polícia Científica do Pará ganha importância estratégica no combate à desinformação e na preservação da credibilidade das provas digitais.

O trabalho desenvolvido pelo núcleo especializado reforça a necessidade de métodos científicos cada vez mais avançados para garantir segurança jurídica, preservar a verdade dos fatos e assegurar que evidências digitais utilizadas pela Justiça sejam tecnicamente confiáveis.

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