Na sabatina realizada pelo Jornal Nacional nesta sexta-feira (28), o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) recusou detalhar a prestação de contas do filme Dark Horse.
Ao ser questionado pela jornalista Renata Vasconcellos, ele afirmou não ter firmado contrato com ninguém e disse que a divulgação dos acordos não era de sua responsabilidade.
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O caso envolve o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso e investigado por uma das maiores fraudes financeiras da história do Brasil. Flávio declarou que seu papel no filme foi autorizar o uso de sua imagem e captar investidores.
Por isso, segundo ele, os detalhes contratuais não lhe cabem revelar. O senador também reiterou que os repasses de Vorcaro foram um "patrocínio privado" e que nenhum recurso público foi utilizado.
Além disso, afirmou que não houve contrapartida ao banqueiro. "Foi de boa-fé, não tem nada de ilegal, está tudo correto", disse o candidato durante a entrevista.
Promessa descumprida e prestação de contas incompleta
Após o escândalo vir à tona, Flávio prometeu divulgar as despesas do filme. Contudo, essa divulgação nunca aconteceu.
Na sabatina, ele afirmou que a prestação de contas foi entregue à Polícia Civil de São Paulo, mas não detalhou como o dinheiro foi efetivamente utilizado.
O candidato declarou ainda que o caso estava "mais do que esclarecido", porém não apresentou documentos ou dados concretos para embasar essa afirmação.
Áudios e mensagens comprometem discurso inicial
Em novembro de 2025, áudios e mensagens revelados pelo Intercept Brasil e confirmados pelo UOL mostraram Flávio pedindo dinheiro diretamente a Vorcaro.
Nessa gravação, o senador alertou o banqueiro sobre parcelas atrasadas e afirmou estar em "um momento decisivo do filme". Além disso, a conversa teria acontecido um dia antes de Vorcaro ser preso.
Inicialmente, Flávio negou os pedidos de forma enfática. No entanto, após a divulgação dos áudios, ele confirmou a negociação.
Valores e destino do dinheiro
A negociação total envolveria R$ 134 milhões. Desse total, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos. Os valores suspeitos seguiriam o seguinte caminho:
- Transferência pela empresa Entre Investimentos e Participações, parceira de Vorcaro;
- Repasse ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal apura se os recursos enviados por Vorcaro foram realmente destinados ao filme. Uma das principais suspeitas é de que o dinheiro bancou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o que ele nega.
Flávio, porém, não foi questionado sobre essa suspeita durante a sabatina do Jornal Nacional.
Visita à prisão e desvio de tema
O senador também confirmou ter visitado Vorcaro após a prisão do banqueiro.
Ao ser questionado sobre o encontro, Flávio afirmou que o contato era exclusivo para tratar do filme. Em seguida, desviou o foco das perguntas ao declarar que "quem deve prestar explicações é o Lula".
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Assim, o candidato encerrou as respostas sobre o caso sem apresentar novos esclarecimentos ao eleitorado.
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