O deputado federal Mario Frias (PL-SP) destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que tem como sócia Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Frias e Karina em operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
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Ao todo, pelo menos 22 pessoas sofreram buscas, incluindo o deputado, a produtora e o coordenador-geral de um dos projetos financiados, Rudyge Alex Scatolini Boldrini.
Dino é o relator do inquérito que investiga o suposto uso de dinheiro público para financiar o longa-metragem, por meio de desvio de emendas.
Segundo o portal da transparência da Controladoria-Geral da União (CGU), Frias propôs as emendas em 2024.
Foram dois termos de fomento, cada um de R$ 1 milhão, vinculados a ministérios distintos: um ao Ministério dos Esportes e outro ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Os pagamentos ocorreram em fevereiro e outubro do ano passado.
O recurso do Ministério dos Esportes financiou o projeto "Lutando Pela Vida no Estado de São Paulo/SP", voltado a ações sociais em Pirassununga, cidade de cerca de 70 mil habitantes no interior paulista.
Entre as atividades previstas, estavam aulas de jiu-jitsu para crianças. Contudo, a prestação de contas revelou gastos que chamam atenção:
- R$ 79,1 mil em assessoria jurídica;
- R$ 147 mil com kimonos;
- R$ 48 mil com fotógrafo e materiais diversos.
Já o recurso do Ministério da Ciência e Tecnologia tinha como objetivo desenvolver metodologia de letramento digital e empreendedorismo para adultos e adolescentes.
O projeto é apontado com finalidade de capacitar multiplicadores e educar crianças do 4º e 5º anos do ensino fundamental em escolas públicas municipais.
Vale lembrar que as gravações de "Dark Horse" começaram em dezembro do ano passado e a estreia está prevista para outubro deste ano.
Em maio, o site Intercept Brasil revelou mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, cobrou dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme.
Vorcaro, portanto, teria pago ao menos R$ 61 milhões por meio de um fundo sediado no Texas (EUA), administrado por Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro.
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Frias, Karina da Gama e Boldrini ainda não se pronunciaram sobre o caso.
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