Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão dos recursos destinados ao filme Dark Horse, documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro produzido nos Estados Unidos.
A conclusão consta em documentos da Polícia Federal no âmbito do caso Master, cujo sigilo foi derrubado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Leia também:
- Flávio Bolsonaro vira alvo de investigação da PF por dinheiro no filme 'Dark Horse'
- PF aponta incompatibilidade em repasses de Mário Frias
O relatório, localizado pelo Valor Econômico, aponta que Eduardo indicou o diretor Altieris Chaves Santana, do fundo Havengate Development Fund, para operar a estrutura financeira do esquema.
Uma captura de tela de conversa atribuída ao deputado federal foi enviada à Procuradoria Geral da República (PGR) como parte do inquérito.
Na mensagem citada no inquérito, Eduardo supostamente orienta: "O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. O Altieris Santana está a disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja."
O fundo Havengate, sediado no Texas, permaneceu operacionalmente inativo por quase quatro anos.
Então, em 13 de fevereiro de 2025, recebeu a primeira remessa de US$ 2 milhões oriunda da empresa Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro.
Mineiro firmou acordo de delação com a PGR, homologado por Mendonça nesta semana. Em depoimento, ele detalhou os repasses ao fundo Havengate:
- Sete transferências realizadas de janeiro a setembro de 2025;
- Total de US$ 12,333 milhões, equivalente a R$ 62,8 milhões;
- Repasses feitos a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
- Valores enviados a mando de Daniel Vorcaro;
- Formato de "subscrições de cotas" no fundo americano.
Segundo Mineiro, o plano original previa dez subscrições ao todo. No entanto, apenas sete foram de fato realizadas.
A obra chegaria a receber US$ 24 milhões de Vorcaro, cerca de R$ 122 milhões, mas os repasses não foram concluídos.
A versão de Mineiro, porém, contraria o que Flávio Bolsonaro afirma publicamente.
O senador, pré-candidato à Presidência, diz que o último pagamento ocorreu em maio de 2025. Mineiro, por outro lado, aponta setembro como data do repasse final.
A equipe de Flávio não comentou a divergência quando questionada pela imprensa.
A gestora do fundo Calixsan Capital Management LLC, controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana, cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas em maio de 2021 e na Flórida em setembro do mesmo ano.
Isso ocorreu justamente no período em que o empreendimento deveria, por seu próprio cronograma, estar em plena construção.
A investigação específica sobre o "Dark Horse" segue em sigilo.
Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
Os documentos divulgados fazem parte de um conjunto maior de inquéritos do caso Master, tornado público por determinação do presidente do STF, Edson Fachin.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar