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LONGE DAS URNAS

Eleições 2026: Brasil teve abstenção de 33 milhões de eleitores

Mais de um em cada cinco eleitores aptos deixou de votar. A ausência nas urnas superou o índice registrado em 2022

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Imagem ilustrativa da notícia Eleições 2026: Brasil teve abstenção de 33 milhões de eleitores camera Foram mais de 33,4 milhões de eleitores que deixaram de votar | José Cruz/Agência Brasil

A eleição presidencial de 2026 terminou o primeiro turno com um sinal de alerta sobre a participação dos brasileiros: aproximadamente 33,4 milhões de pessoas aptas a votar não compareceram às urnas neste domingo (4). A abstenção chegou a 21,07%, segundo dados divulgados com base na apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual supera os 20,95% registrados em 2022 e representa o maior índice desde 1998, quando a ausência alcançou 21,5% do eleitorado.

O número chama atenção porque revela uma parcela expressiva da população fora da votação, independentemente do resultado da disputa presidencial. Em uma eleição marcada pela polarização entre os principais candidatos, a ausência de milhões de eleitores também levanta questões sobre o alcance das campanhas, o envolvimento da população com a política e as dificuldades que podem impedir o comparecimento.

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A abstenção, porém, não deve ser interpretada automaticamente como rejeição aos candidatos ou ao sistema político. O indicador reúne situações diferentes, como problemas de saúde, dificuldades de deslocamento, compromissos pessoais e desinteresse pela eleição. Para compreender as razões desse comportamento, são necessárias pesquisas específicas sobre o perfil e as motivações dos eleitores ausentes.

A evolução histórica mostra que a abstenção vem aumentando ao longo das últimas décadas. Em 2006, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente, 16,8% dos eleitores deixaram de votar. O índice subiu para 18,1% em 2010 e chegou a 19,4% em 2014. Em 2018, alcançou 20,3%, antes de registrar 20,95% em 2022.

O resultado de 2026 aprofunda essa tendência e coloca a participação eleitoral no centro do debate sobre a relação entre a população e a política. Embora o voto seja obrigatório para a maior parte dos brasileiros entre 18 e 70 anos, a ausência continua expressiva mesmo com a possibilidade de justificativa e as consequências previstas para quem deixa de votar sem regularizar a situação.

Além de quem não compareceu, os votos brancos e nulos também precisam ser considerados na análise do resultado presidencial. Os votos em branco somaram cerca de 2,27 milhões, equivalentes a 1,84% dos votos contabilizados. Os nulos chegavam a aproximadamente 3,61 milhões, ou 2,93%.

Os números ainda eram parciais naquele momento e poderiam mudar até a conclusão da apuração. Mesmo assim, indicavam que milhões de votos não seriam destinados a nenhum candidato na disputa presidencial.

É importante diferenciar os dois grupos. O voto em branco é registrado quando o eleitor escolhe essa opção na urna. Já o voto nulo ocorre quando o eleitor digita um número que não corresponde a uma candidatura válida e confirma a escolha. Embora tenham procedimentos distintos, ambos ficam fora da contagem de votos válidos utilizada para definir o resultado.

Na prática, isso significa que o percentual atribuído a cada candidato é calculado sobre os votos válidos, e não sobre o total de eleitores aptos ou sobre todos os votos registrados. Por essa razão, a leitura do resultado eleitoral exige observar não apenas a distribuição dos votos entre os concorrentes, mas também o tamanho da abstenção e a quantidade de votos brancos e nulos.

Os indicadores não permitem concluir, isoladamente, que os eleitores ausentes ou os que votaram em branco ou nulo rejeitam a política. Ainda assim, ajudam a dimensionar quantas pessoas ficaram fora da escolha efetiva entre os candidatos.

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O desafio, portanto, é entender o que está por trás desses números. A diferença entre não conseguir votar, optar por não comparecer e comparecer sem escolher um candidato é relevante para qualquer diagnóstico sobre o comportamento do eleitorado.

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