Em meio ao calor, à multidão e à maratona de blocos, uma dúvida costuma surgir entre os foliões: usar banheiro químico no Carnaval é seguro? A resposta dos especialistas é direta: o risco existe, mas está muito mais relacionado à falta de higiene das mãos do que ao simples ato de sentar no assento.
De acordo com Natan Chehter, clínico geral em São Paulo, os banheiros químicos podem estar associados principalmente a infecções gastrointestinais. A transmissão ocorre pela via fecal-oral, quando microrganismos presentes em fezes contaminam superfícies e chegam à boca por meio das mãos.
CONTEÚDOS RELACIONADOS
- Sábado de Carnaval: veja a programação completa da folia em Belém
- Abertura do CarnaBelém 2026 faz a alegria de milhares de foliões em Outeiro
- Glitter caseiro vira febre para o Carnaval 2026; Aprenda a fazer!
Entre os possíveis agentes infecciosos estão:
- Vírus como norovírus e rotavírus, causadores de gastroenterites;
- Bactérias como Escherichia coli, Salmonella, Shigella, Campylobacter e Clostridioides difficile;
- Protozoários como Giardia e Cryptosporidium;
- Vermes (helmintos), como Ascaris lumbricoides.
O maior perigo está em tocar superfícies contaminadas e não higienizar corretamente as mãos antes de comer, beber ou levar a mão ao rosto. A transmissão por partículas no ar é possível, mas menos comum.
Como se proteger
Medidas simples reduzem bastante o risco:
- Levar álcool em gel;
- Higienizar as mãos antes e depois do uso;
- Usar papel ou protetor descartável no assento;
- Evitar tocar a região íntima com as mãos sujas;
- Não segurar a urina;
- Manter boa hidratação;
- Preferir roupas leves e íntimas de algodão.
O uso deixa de ser seguro quando há sujeira visível, lixo acumulado e ausência de limpeza regular.
É possível pegar infecção urinária ou ginecológica?
Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que praticamente nenhuma infecção ginecológica é causada diretamente pelo uso do vaso sanitário. Candidíase e vaginose bacteriana, por exemplo, estão relacionadas a desequilíbrios da flora vaginal, e não ao contato com o assento.
Quer mais notícias sobre saúde? Acesse nosso canal no WhatsApp
O que pode ocorrer é infecção urinária quando a pessoa evita usar o banheiro por nojo e segura a urina por muito tempo, favorecendo a proliferação de bactérias na bexiga. Roupas muito apertadas, sintéticas e molhadas por longos períodos também podem alterar o pH da região íntima e aumentar o risco de infecções.
Dá para pegar IST no banheiro químico?
O risco é praticamente zero. Vírus e bactérias causadores de infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, herpes, clamídia e gonorreia, não sobrevivem por muito tempo fora do corpo humano e precisam de condições específicas para permanecer ativos.
Além disso, não há contato direto do assento com os órgãos genitais. As ISTs são transmitidas principalmente por relação sexual sem preservativo. O uso de camisinha — distribuída gratuitamente em unidades públicas de saúde — continua sendo a principal forma de prevenção.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa merecem atenção redobrada. No fim das contas, o banheiro químico não é vilão — a falta de higiene, sim. Com cuidados básicos, é possível aproveitar a folia sem pânico e com segurança.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar