Dia 17 de maio é o Dia Mundial da Hipertensão, data voltada à conscientização sobre os riscos da pressão alta, que é uma condição que pode afetar coração, cérebro, rins e olhos. Na rotina de quem recebe o diagnóstico, uma das primeiras orientações costuma ser reduzir o consumo de sal.
A medida é importante, mas não explica tudo. Segundo a nutricionista Bela Clerot, pessoas com diabetes tipo 2, pré-diabetes, excesso de peso ou sinais de resistência à insulina também precisam olhar para a alimentação, os exames e os hábitos do dia a dia.
Na avaliação da nutricionista, muitos pacientes com pressão alta apresentam alterações metabólicas ao mesmo tempo, como gordura no fígado, triglicerídeos elevados, glicose alterada e resistência à insulina.
“Você não tem uma coleção de doenças. Você tem um problema metabólico que pode causar uma lista grande de sintomas”, afirma.
Dados do Vigitel Brasil 2006 a 2024, publicado pelo Ministério da Saúde em 2025, mostram que a frequência de adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal com diagnóstico médico informado de hipertensão passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024. O aumento foi de 7,1 pontos percentuais, o que equivale a cerca de 31% de crescimento relativo. No mesmo período, também avançaram indicadores associados à saúde metabólica. O excesso de peso foi de 42,6% para 62,6%, a obesidade de 11,8% para 25,7% e o diagnóstico médico informado de diabetes de 5,5% para 12,9%.
Por que diabetes e pressão alta podem aparecer juntos
A hipertensão arterial é uma doença multifatorial. Pode envolver idade, genética, alimentação, sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool, tabagismo, estresse e outras condições de saúde.
Bela explica que, quando há resistência à insulina, o corpo precisa produzir mais insulina para lidar com a glicose no sangue. Esse quadro, de acordo com a nutricionista, pode contribuir para retenção de sódio, maior volume de líquido na circulação e alterações na parede dos vasos sanguíneos.
“O problema não é só o sal que a pessoa come. Em alguns casos, esse sal fica acumulado no corpo por outra razão”, diz.
A relação não é que o sal deixe de importar. Ainda de acordo com a nutricionista, o ponto é que a hiperinsulinemia, ou seja, o excesso de insulina circulante, pode favorecer a retenção de sódio e água pelos rins. Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes observam queda da pressão com o avanço do controle metabólico, a redução dos picos de glicose e a menor resistência à insulina.
Por isso, ela defende que o cuidado com a pressão alta não fique restrito ao sal. Para ela, quem tem diabetes tipo 2, pré-diabetes, excesso de peso, glicose alterada ou sinais de resistência à insulina também precisa observar o consumo de açúcar, carboidratos, industrializados, sono, estresse e atividade física.
O que observar além do sal
Além de reduzir o excesso de sódio, Bela orienta que pessoas com pressão alta observem outros pontos da rotina e dos exames:
1. Consumo frequente de açúcar e carboidratos
Pão, arroz, macarrão, açúcar, sucos, frutas secas e o consumo frequente de frutas mais ricas em açúcar podem favorecer picos de glicose em pessoas predispostas. De acordo com Bela, a repetição desses picos pode levar o corpo a produzir mais insulina para tentar controlar a glicose no sangue.
2. Excesso de alimentos industrializados
Produtos prontos podem concentrar sódio e açúcar na mesma composição. Para Bela, essa combinação pode dificultar a percepção do excesso de sal e favorecer o consumo em maior quantidade.
3. Exames e sinais metabólicos associados
Pressão alta, diabetes tipo 2, gordura no fígado, triglicerídeos elevados, HDL baixo, glicose alta e excesso de peso podem aparecer juntos no mesmo paciente. A nutricionista afirma que, nesses casos, é importante investigar se há resistência à insulina por trás do quadro.
4. Medicação sem mudança de rotina
Bela reforça que o remédio para hipertensão pode ser necessário e ajuda a controlar os riscos. Mas, segundo ela, tratar apenas o sintoma sem mudar hábitos pode fazer com que o problema metabólico continue avançando. Qualquer ajuste no uso de medicamentos deve ser feito com acompanhamento médico.
5. Sono, estresse, alimentação e atividade física
A nutricionista também cita sono, atividade física, alimentação, estresse e questões hormonais como parte do cuidado com o estilo de vida. Para ela, a mudança só se mantém quando a pessoa entende por que precisa mudar.
“Tem que mudar estilo de vida. E a gente só muda quando tem consciência do porquê precisa mudar”, diz.
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Controlar a pressão exige acompanhamento
A hipertensão pode não apresentar sintomas claros. Por isso, medir a pressão, manter consultas em dia e seguir a prescrição médica são passos essenciais. Diretrizes brasileiras reforçam a importância da aferição correta da pressão, do acompanhamento regular e, quando indicado, do uso de MAPA, MRPA ou automedida fora do consultório.
Para Bela, o Dia Mundial da Hipertensão também ajuda a lembrar que o cuidado não deve parar na redução do sal e uso de medicação. A mudança alimentar é importante, mas precisa considerar o quadro completo de cada pessoa.
“Além de tratar o sintoma, você precisa tratar a causa. Senão, daqui a pouco aparece outro sintoma, outro problema, e a pessoa não compreende por que acumula doenças”, afirma
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