O avanço da inclusão digital também transformou a rotina da população idosa. Apesar dos benefícios, o uso exagerado dessas plataformas pode afetar a saúde mental e a qualidade de vida. Um estudo publicado na revista científicaPLOS Global Public Health, realizado por pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, avaliou informações de 13.536 pessoas com 55 anos ou mais.
Os resultados apontaram uma associação entre o uso frequente das redes sociais e uma percepção mais negativa sobre a própria saúde mental.
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De acordo com a pesquisa, passar tempo demais nas plataformas pode estar relacionado a sentimentos de solidão, ansiedade e sofrimento psicológico. O impacto tende a ser mais preocupante quando o ambiente virtual passa a substituir atividades presenciais, momentos de lazer, exercícios e outras ocupações importantes para um envelhecimento saudável.
Para a psicóloga Patrícia Rocha, a tecnologia pode contribuir para um envelhecimento mais ativo, desde que faça parte de uma rotina equilibrada.

"A inclusão digital trouxe inúmeros benefícios para a população idosa, mas é preciso observar quando o uso das redes sociais começa a interferir na rotina, no convívio familiar, no sono ou no interesse por outras atividades. O papel da Terapia Ocupacional é justamente promover o equilíbrio entre as diferentes ocupações do dia a dia, favorecendo autonomia, participação social e qualidade de vida", explica ela.
A profissional destaca que a atenção deve estar voltada não apenas ao tempo gasto diante das telas, mas também às mudanças provocadas pelo uso da tecnologia no cotidiano.
Sinais de alerta
Alguns comportamentos podem indicar que o uso das redes sociais deixou de ser uma atividade saudável. Entre eles estão a dificuldade de permanecer longe do celular, irritação quando não é possível acessar as plataformas, abandono de atividades que antes proporcionavam prazer, alterações no sono e redução do contato presencial com familiares e amigos.
Quando esses sinais aparecem de forma frequente, a avaliação da rotina pode ajudar a identificar quais hábitos precisam ser modificados. Nesse contexto, a Terapia Ocupacional pode contribuir para reorganizar as atividades diárias e estimular uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
O que pode ajudar?
O trabalho do terapeuta ocupacional parte da avaliação das atividades que fazem parte da vida da pessoa idosa. A partir dessa análise, o profissional pode propor mudanças na rotina para ampliar a participação em atividades significativas.
Segundo Patricia, entre as estratégias estão o incentivo à convivência social, a prática de exercícios físicos, a realização de atividades de lazer e a criação de hábitos que contribuam para o bem-estar físico e emocional.
A proposta não é eliminar o uso das redes sociais, mas ajudar a pessoa idosa a encontrar um equilíbrio entre o ambiente digital e outras atividades importantes para sua autonomia e qualidade de vida.
"Além de atuar na reabilitação e na promoção da independência funcional, a Terapia Ocupacional desempenha um papel preventivo ao ajudar os idosos a construírem uma rotina mais ativa, equilibrada e participativa, reduzindo os riscos associados ao uso excessivo das tecnologias", explica a psicóloga.
Tecnologia pode ser aliada no envelhecimento
Com o aumento da expectativa de vida e a expansão do acesso à internet, profissionais que atuam com a terceira idade também precisam lidar com novos desafios. A dependência digital é uma dessas questões, especialmente quando o uso da tecnologia começa a comprometer o sono, os relacionamentos e a participação em atividades presenciais.
Nesse cenário, Patrícia Rocha argumenta que a Terapia Ocupacional trabalha com foco na autonomia e na participação da pessoa idosa nas tarefas do cotidiano. A atuação pode contribuir tanto para a reabilitação quanto para a prevenção de problemas relacionados a hábitos que prejudicam o equilíbrio da rotina.
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