O assassinato do líder quilombola paraense Teodoro Lalor de Lima em Belém, no Pará, foi lembrado pela organização do Festival de Artes Integradas-Festcineamazônia Itinerante. Na abertura da noite de apresentação do festival na comunidade quilombola de Pedras Negras, em Rondônia, a organizadora do Festcineamazônia, Fernanda Kopanakis, lembrou a violência que ainda ameaça lideranças de comunidades tradicionais na luta pela posse da terra e pediu um minuto de silêncio por Teodoro Lima.
A liderança quilombola foi assassinada na capital paraense na segunda-feira passada, 19. Teodoro Lalor de Lima iria participar, em Belém, de um encontro estadual de comunidades quilombolas. Presidente da Associação dos Remanescentes Quilombolas de Gurupá, em Cachoeira do Arari, Marajó, Teodoro denunciava a ação de fazendeiros locais na tentativa de expropriação das terras dos remanescentes de quilombos em Cachoeira do Arari e vinha sofrendo ameaças por conta disso. “É significativo que façamos essa referência em uma localidade como Pedras Negras, também uma comunidade de remanescentes quilombolas”, disse Fernanda.
Pedras Negras é uma comunidade pequena, às margens do rio Guaporé. Construída praticamente em cima de um morro abriga 31 famílias e 170 moradores, em seus quase cem anos de existência. Dos moradores, 25 são crianças. Antes de virar comunidade quilombola, Pedras Negras abrigava um porto. Aos poucos começou a receber escravos que fugiam de Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso. Foram eles que deram início ao que hoje é Pedras Negras.
Essencialmente católica, a comunidade tem uma imponente igreja em cima do morro, de frente ao rio. Duas festividades fazem parte do calendário católico de Pedras Negras. A do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora da Conceição. Atualmente, o local é ponto de reunião de turistas que buscam a pescaria. Três pousadas movimentam parte da economia de Pedras Negras. A outra fonte de renda é a extração da castanha, que produz 600 toneladas por ano, mas que por ser vendida a atravessadores, rende menos do que poderia à comunidade. “É uma coisa que ainda estamos buscando solução”, diz o líder comunitário Francisco Edvaldo, 41 anos.
Um dos grandes orgulhos do lugar é o time de futebol local, recentemente campeão em um torneio envolvendo comunidades próximas. Essas façanhas são contadas e lembradas embaixo de uma frondosa mangueira cercada por bancos de madeira no centro da localidade. Parte desses atletas prestigiou a noite de programação do Festcineamazonia Itinerante. Sob a lua cheia, os artistas do festival se apresentaram a um público mais heterogêneo que o de comunidades anteriores. Isso porque além dos moradores de Pedras Negras, a plateia contou com a presença de alguns hóspedes das pousadas.
PERCURSO
Pedras Negras foi a segunda comunidade quilombola alcançada pela itinerância do Festcineamazonia 2013 no Vale do Guaporé. A primeira havia sido Santo Antônio. A expedição iniciou dia 9 deste mês em Guajará-Mirim, município rondoniense e irá percorrer até o final, 11 comunidades brasileiras e bolivianas, com apresentações de música, com o cantor rondoniense Bado, poesias com o escritor português José Luís Peixoto, arte circense com o palhaço argentino Martinez e exibição de filmes.
O Festcineamazônia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia e Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil.
(Diário do Pará)
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