Em 2010, ao completar 40 anos de idade, Henry Burnett entrou em crise. E a maneira que o cantor e compositor encontrou de lidar com os anos a mais foi o DVD “Por uns tempos”. Gravado no Teatro Cláudio Barradas, em Belém, o show é um apanhado de sua carreira, reunindo músicas pinçadas dos álbuns “Linhas urbanas” (1997), “Não para magoar” (2007), “Interior” (2008) e “Retruque/Retoque” (2010).
O resultado é um trabalho introspectivo, no formato voz e violão, com participação do guitarrista Renato Torres, o baixista Adalbert Carneiro e a cantora Iva Rothe. “O projeto não deixa de ser fruto de suas limitações técnicas e financeiras. O DVD foi produzido de forma totalmente independente, contando com uma pequeno patrocínio da Fundação Tancredo Neves, outra ajuda em dinheiro do amigo Milton Kanashiro, mas bancado essencialmente do meu bolso”, conta o músico paraense.
Depois de três anos, “Por uns tempos” será lançado hoje, em única apresentação no Sesc Boulevard. Radicado em São Paulo desde 2007, Henry Burnett aproveita a visita a capital paraense para revelar outra novidade: o seu novo CD “Belém Incidental”, com previsão de estreia apenas para início do ano que vem.
“Minha música mudou muito desde ‘Por uns tempos’. Será um show mais pesado, mais rock, por assim dizer - apesar de eu não ter a mínima pretensão de me tornar um roqueiro a essa altura do campeonato”, afirma. Em fase de pré-produção, “Belém Incidental” conta com a parceria de Fábio Cavalcante, que assina a produção musical. Dentre as faixas inéditas que serão apresentadas logo mais, estão “Oswald Canibal” e “Isso é viver”, compostas por Paulo Vieira, e cantadas por Sammliz, do grupo Madame Saatan. O evento ainda conta com a participação de Arthur Kunz, baterista do duo Strobo.
“Desde o primeiro momento pensei nela pra cantar ‘Oswald Canibal’, inspirada na obra do poeta Oswald de Andrade. A antropofagia dos modernistas casa perfeitamente com a música do Madame, uma música perigosa”, define o artista. “Não sei o que esperar desse encontro”, confessa Sammliz. “O Madame Saatan sempre foi uma banda aberta a outros estilos. A gente sempre se deu a liberdade de experimentar outros ritmos, parcerias. Na verdade, gosto de um desafio”, diz.
“Atualmente, há uma homogeneização da música paraense. Como estratégia de marketing, os artistas abraçaram tudo que é dançante, de massa. Reduziram nossa riqueza cultural ao lugar comum da música caribenha. Belém tem várias faces. E uma das mais fortes é a tradição do rock. Quero mostrar as possibilidades de Belém, não limitar a música daqui a uma identidade forjada”, conclui.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar