Relacionamentos amorosos podem ser bem complicados, como atesta Ziza Padilha em “Um e outro”. A música que concorre como finalista do V Festival de Música Popular Paraense trata das alegrias e dores que todos os casais acabam experimentando. “Uma hora se ama, outra briga. Uma hora ri, outra chora. Todo relacionamento passa por altos e baixos. A música expressa essa dualidade, oscila entre uma balada até ficar cada vez mais densa, semelhante a um tango”, conta o paraense de 38 anos.
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Com co-autoria de Dudu Neves, “Um e outro” é uma prévia do CD homônimo, reunindo apenas músicas da dupla. O álbum em pré-produção consolida oficialmente uma parceria de 12 anos. “Eu já gravei outras músicas do Dudu em meus discos anteriores, assim como ele tem músicas minhas gravadas. Mas pela primeira vez vamos lançar um trabalho em que nós dois assinamos. O festival da RBA será uma ótima oportunidade para testar se a música funciona. Como o projeto do CD está muito cru, a resposta do público e a opinião dos jurados são importantíssimas para esse processo”, avalia o músico com 20 anos de carreira, integrante do grupo Zarabatana Jazz.
Serão ao todo doze músicas concorrendo na grande final do V Festival de Música Popular Paraense, realizado pela Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA), que ocorre hoje. Músicos que como Ziza Padilha buscam, obviamente além do prêmio em dinheiro que pode chegar até R$ 15 mil para o primeiro lugar nesta edição, uma oportunidade de ganhar mais visibilidade.“O festival acaba sendo uma grande vitrine para a música paraense. Quando nós o criamos há cinco anos, existia uma demanda reprimida de eventos do tipo. Tanto para artistas iniciantes, quanto para nomes já consolidados reclamavam de não ter um lugar pra mostrar o seu trabalho. E o evento por estar ligado a uma grande empresa de comunicação acaba sendo um grande atrativo, pela abrangência que o rádio e a televisão dão”, explica Marco Antônio, da Marco Eventos, um dos coordenadores do evento ao lado do radialista Edgar Augusto.
NOVOS TALENTOS
Na busca por novos talentos, a edição deste ano incluiu uma etapa regional no município de Marabá, realizada no dia 1º de agosto. O festival ainda contou com outras duas eliminatórias na capital paraense nos dias 8 e 14 de agosto.O maranhense radicado em Marabá, Clauber Martins, foi um dos músicos revelados pelo projeto. Com dois álbuns lançados e mais um no forno, ele investiu nos estilos nordestinos como o baião, forró e xote. “Minha música tem um sotaque muito regional, que dificilmente ia alcançar a grande mídia se não fosse com a ajuda do festival”, atesta o cantor de 41 anos. Ele concorre com o xote “Fornalha”, lamento pelas transformações que o município vem passando pelos últimos anos.
Do regional ao experimental
“Moro há dez anos em Marabá. A cidade cresceu muito nesta década, mas, infelizmente, o desmatamento cresceu na mesma proporção. Na minha música eu falo dos desertos de eucalipto que a gente viu crescer na vizinhança, bicho nenhum vive nas florestas de eucalipto plantada pelas empresas. Também sofremos com as fornalhas de carvão que tem as centenas na cidade”, revela.
“Não existe um perfil típico no festival. Do rock a MPB, da música tradicional à experimental, recebemos de tudo”, analisa Edgar Augusto. “Ficamos muito felizes ao perceber que os participantes do Festival de Música Popular Paraense estão cada vez mais dispostos a arriscar. Acabou aquele negócio de escrever música quadradinha, pra agradar o gosto dos juízes. E era justamente isso que a gente queria. Veja alguma das cantoras inscritas, por exemplo. Dá pra notar que a maioria tem um estudo acadêmico, um apuro técnico. Mas elas não se prendem às fórmulas tradicionais. Exploram levadas pop, modernizam a coisa”.
A descrição casa perfeitamente com a iniciante Larissa Leite. A jovem cantora que tem apenas um ano e meio de carreira resolveu revisitar na música “Rua Caldeirão” um clássico do carnaval, a marchinha “Aurora”, de autoria de Mário Lago. “Eu queria dar uma chance às Auroras vida de se defenderem. Como na versão original desconfiam da sinceridade dela, perdendo o marido e acabando no olho da rua, em ‘Rua Caldeirão’ eu criei um lugar fictício pra ela viver”, explica.
“É o primeiro festival que apresento uma composição minha. A maior vantagem para mim está sendo conviver com todos esses músicos, acaba sendo uma grande festa nos bastidores. Eu aprendo muito, até a me soltar mais. Eles me dão dicas de dar entrevista, como me portar na frente das câmeras. Sou muito tímida”, conclui Larissa.
(Diário do Pará)
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