O comediante Rodrigo Capella, 31 anos, apresenta hoje em Belém, ao lado do parceiro Marcelo Marrom, 42 anos, o espetáculo “Comédia em Preto e Branco”. A dupla, que viaja pelo país há um ano e meio e já visitou mais de 140 cidades, sobe ao palco do Hangar Centro de Convenções às 21h. Os ingressos variam de R$ 60 a R$ 100, com meia entrada para estudantes.
O show reúne música, esquetes e o boas doses de improviso. Com um cenário simples que reforça a ideia de uma boa conversa de bar, eles transformam em comédia situações recorrentes do cotidiano. “Tem coisas que é difícil de fazer rir, mas tem cada situação na vida pelas quais a gente só consegue passar assim, rindo”, conta Rodrigo.
Remanescentes da Cia de Humor Deznecessários, a dupla reafirma o compromisso com o improviso ao contar que tudo que é feito no palco foi descoberto durante as apresentações. “Quando temos alguma ideia a gente pensa: vamos fazer pra ver como é que fica, se funciona”, diz Marcelo Marrom ao revelar que não há ensaios com falas marcadas e tempo cronometrado. “O que fazemos é aproveitar as deixas um do outro e do público”, admite.
Com duração de pouco mais de uma hora, a concepção e a direção do espetáculo são assinadas pelos próprios atores que contaram ainda com a supervisão de Fabio Nascimento, assistente de direção do Jô Soares em diversos espetáculos. “Como sugere o próprio título do espetáculo, a gente também usa essa brincadeira com a questão racial. Mas não nos detemos só nisso, a gente cria muito em cima do palco”, conta Rodrigo.
Os humoristas se conheceram quando eram integrantes da antiga companhia de humor e de lá para cá a amizade se fortaleceu. Logo, os dois começaram a montar algumas apresentações juntos que mais tarde se transformaram no espetáculo que será apresentado hoje em Belém. “A gente se diverte fazendo palhaçada pelo Brasil, isso é muito legal. Temos uma relação de parceria mesmo”, diz Marrom.
Utilizar cenas do cotidiano para levar ao palco humor de cara limpa, sem a máscara do personagem, e arrancar gargalhadas da plateia a partir de comentários que poderiam ser ditos em qualquer mesa de bar. Este é o principal desafio do stand up comedy. O estilo, importado dos EUA, em que o artista realiza o show todo em pé no palco conversando com a plateia, faz sucesso no Brasil há alguns anos.
Capella acredita que a internet contribui com o fortalecimento deste gênero. “O stand up continua em alta. Na verdade, o humor em geral, a internet propicia isso. É só ver, por exemplo, o caso da galera do Porta dos Fundos, que é um mega sucesso. As pessoas procuram, elas querem essa diversão, querem gargalhar”, aponta. O Pará, mesmo distante do eixo central de divulgação deste tipo de trabalho, possui uma safra promissora de artistas do gênero que já encanta o Brasil. Artistas como Murilo Couto, do “Em Pé Na Rede”, são reconhecidos na cena nacional e integram um time respeitável de stand up. “Ele faz um trabalho de muita qualidade, por isso conquista um importante espaço”, diz Rodrigo.
(Diário do Pará)
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