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Cantora celebra o universo feminino em novo disco

Já faz um tempo que Juliana Sinimbú flerta com o trabalho de João Donato. O show “Daqui pra frente”, realizado em 2007, foi batizado com um trecho da música “E Muito Mais!”, de coautoria do pianista, compositor e arranjador acriano contemporâneo da Bossa

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Já faz um tempo que Juliana Sinimbú flerta com o trabalho de João Donato. O show “Daqui pra frente”, realizado em 2007, foi batizado com um trecho da música “E Muito Mais!”, de coautoria do pianista, compositor e arranjador acriano contemporâneo da Bossa Nova. Em 2011, a cantora paraense repetiu a homenagem com o espetáculo “Nua ideia (Leila XII)”, outra música do veterano em parceria com Caetano Veloso.

No novo CD de Juliana Sinimbú, “Una”, João Donato reaparece, só que dessa vez não apenas como influência. No trabalho, o músico acompanha a admiradora ao piano na versão de “Nua Ideia”. O universo feminino que inspira a canção acabou servindo de ponto de partida para a criação de todo o conceito do disco, com previsão de lançamento para o primeiro trimestre do ano que vem.

“Nua Ideia’ celebra o nosso jeito único de ser. Foi a partir dela que criei o ‘Una’, que é um trabalho que expressa o meu ponto de vista sobre ser mulher. Sobre aquelas coisas que o homem nunca vai saber: amar como mulher, se entregar, gerar e guardar uma vida dentro de si”, explica Juliana. (Leia mais na página 2)

A descoberta na composição

O encontro com o ídolo se deu graças ao produtor do CD, Donatinho, filho de João Donato. Ele conta que foi praticamente intimado a trabalhar com a cantora após um encontro casual durante uma festa. “Foi bem inusitado. A Juliana chegou e perguntou: ‘Vem cá, tu não é o Donatinho?’. Depois das devidas apresentações, não demorou muito para ela fazer o convite para produzir o disco dela. Que adora meu trabalho, que era apaixonada pelo meu pai. Colocado contra a parede desse jeito, não tive como recusar”, brinca o carioca de 28 anos de idade em entrevista por telefone do Rio de Janeiro (RJ).

“Eu sempre ‘paquerei’ o Donatinho pelos trabalhos em que ele tocava. Ele me compreende rapidamente, virou um grande amigo. Fala de mim aonde vai, agregou muito valor ao meu trabalho. Já com o João Donato, o convite foi bem natural. No meio do processo, achamos bacana chamá-lo e ele topou de cara. Foi emocionante ter o João tocando comigo, foi um dos maiores presentes desse ano. Chorei quando ouvi o resultado”, comenta a cantora.

Patrocinado pela Natura Musical, o projeto, em fase de mixagem, foi gravado no Rio de Janeiro e em Belém. Um processo que vem sendo executado em partes, por causa da pequena Flora, filha recém-nascida de Juliana - outra importante inspiração para o disco, além de João Donato. “Com sete meses [de gravidez], fiz a pré-produção em Belém, para decidir o repertório, reunir conceitos, tocar e estudar. Quando Flora completou dois meses de nascida, voltamos ao estúdio com a banda. Ser mãe só me ajuda, só me contagia com coisas boas. Me deu forças pra continuar cantando e realizar logo o meu projeto. Minha vida se organizou , se preencheu. Era o que faltava”, afirma a mãe coruja.

Busca por uma sonoridade distante dos estereótipos

O CD ainda tem versões de “Clarão da Lua” e “Não me Provoca”, dos paraenses Almirzinho Gabriel e Dona Onete, respectivamente, além de participações de Kassin, influente produtor carioca responsável por álbuns de Caetano Veloso, Los Hermanos e Mallu Magalhães, e de instrumentistas da Orquestra Municipal do Rio de Janeiro. Contudo, o que marca o segundo trabalho da carreira de Juliana é a faceta compositora da artista. Ela assina parcerias com o também conterrâneo Renato Torres (Clepsidra), e Iva Rothe, e o pernambucano Otto, além de canções próprias.

“‘Una’ é um disco autoral em mais da metade, um marco pra minha carreira. Se comparar com meu trabalho anterior, ‘Sonho Bom de Fevereiro’ (2011), eu sinto que o novo trabalho é bem mais maduro, tanto na forma de compor como na forma de cantar. O ‘Sonho Bom de Fevereiro’ foi um disco com caminho incompleto por dois motivos: falta de recurso e o meu início na composição. Acabei não lançando e virou um projeto virtual, mas tenho muito carinho por ele. O ‘Una’ pode ser definido como um disco de música brasileira em sua origem, com alguns flertes por aqui, pelo som característico do Pará, mas com referências muito mais amarradas nos sons étnicos. Escutei Manu Chao, Buena Vista, Obina Shok”, diz a artista.

“A Juliana tem uma coisa muito forte de ritmos latinos. Ela flerta com o bolero, a cúmbia, a lambada. Mas, ao mesmo tempo, não queríamos que essas influências virassem uma caricatura. A música paraense está na moda, mas não queríamos recair naquilo que o pessoal de fora espera que o som da região seja”, argumenta Donatinho.

Além de produtor, o instrumentista também integra o grupo Abayomy, que mistura ritmos africanos e música eletrônica. Com o pai de origem nortista, desde criança ele se interessa pela cultura local. Atualmente desenvolve um projeto de pesquisa de música regional brasileira para o novo álbum solo que contará com a participação de Dona Onete. “Além de compreender esse universo afetivo que ela [Juliana] traz na música, eu queria estreitar os laços com esse pedaço do Brasil do qual eu faço parte de alguma forma. No final das contas, eu achei muitas conexões entre o som dela e do meu pai”, conclui.

(Diário do Pará)

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