O pano de fundo do site “Memória & Imagem – A Imigração japonesa em Tomé-Açu” é o resgate da história da primeira colônia nipônica no Estado do Pará no final da década de 1920. Entretanto, para o criador do projeto, o jornalista Ademar Assaoka, foi um profundo mergulho na memória da própria família.
“Quero que os descendentes conheçam a história dos seus pais dos seus avós, que de alguma forma é a sua própria história. Sem dúvida, compreendi melhor meus pais, como me educaram, os seus valores”, afirma o paulista de 66 anos, atualmente radicado em Fortaleza (CE).
Financiado pelo XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2012, do Ministério da Cultura (MinC), a página reúne aproximadamente 200 fotografias, garimpadas dos álbuns de família dos nikkeis (descendentes de japoneses) moradores do município de Tomé-Açu, nordeste do paraense, cerca de 113 quilômetros da capital Belém.
“Infelizmente, boa parte do material estava perdido porque outras pessoas, com propostas parecidas com a minha, pegaram o material e desapareceram. Foi visto e selecionado de todo material fotográfico que restou, e recolhi todas publicações possíveis a respeito da imigração. Para levar a cabo o projeto tive que voltar com um scanner e digitalizar as imagens em Tomé-Açu”, detalha.
TRAJETÓRIA
Os imigrantes japoneses chegaram à região amazônica no dia 16 de setembro de 1929. Inspirado na experiência de São Paulo, que prosperou com a chegada dos imigrantes, o governador do Pará, Dionísio Bentes, ofereceu uma grande área de terra, às margens do rio Capim, para abrigar os japoneses interessados em recomeçar a vida no Estado. Devastado pelo grande terremoto da região central de Kanto, em 1923, o Japão daquele tempo via na imigração uma solução para os seus problemas.
Os imigrantes que resolveram ficar tiveram de lidar com outro problema: a intolerância. Devido à Segunda Guerra Mundial, o Brasil rompeu relações diplomáticas com o Japão em 1943, e os imigrantes japoneses passaram a ser vistos como inimigos, encarcerados em campos de concentração. Com o fim da guerra, em 1945, a colônia de Tomé-Açu começou a se reorganizar.
As culturas de juta e a pimenta-do-reino já haviam sido introduzidas no Brasil pelos japoneses desde a década de 1930. A partir da segunda metade da década de 1960, Tomé-Açu respondia por cerca de 40% da produção de pimenta do Brasil. “É uma saga desconhecida até para os próprios moradores da região. Hoje Tomé-Açu tem 200 mil habitantes e, destes, os nipo-brasileiros são menos de 400”, atesta Ademar Assaoka.
(Diário do Pará)
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