Qual a função de cada um na preservação do patrimônio histórico, material e imaterial da cidade? Quem sabe registrar imagens como uma forma de perpetuar a existência seja uma maneira de agir. O curso “A mercê da memória”, que a Fotoativa oferece, é ministrado pelo historiador e fotógrafo Michel Pinho tendo como um dos principais objetivos instigar o público a fazer os próprios registros do patrimônio de Belém.
“Na verdade, a fotografia e o patrimônio se ligam através do discurso da memória, da materialização de uma imagem”, aponta Michel Pinho. O debate sobre o patrimônio histórico é um excelente estimulador da imagem sobre a cidade.
Dividindo em quatro eixos – ‘A cidade esquecida e a cidade visível’, ‘Atrás das paredes: entre o cotidiano e a história. Noções de patrimônio’, ‘Para além da rua: o exercício do ver’ e ‘Entre os Apinagés e a ditadura: intervenções urbanas em Belém do Pará’ – o curso traz muita teorização e prática sobre o assunto, partindo das próprias experiências artísticas do facilitador, que convida os participantes a ver (num primeiro momento) e depois exercitar intervindo no espaço urbano de hoje e ontem, tomando a cidade para si.
“As intervenções são pontos de questionamento nas cidades. Elas geram estranhamento, fazem com que o expectador se pergunte o que é que esta acontecendo”, explica Michel, que busca na sala de aula estimular os alunos a pensarem o mundo lá fora, a ser cidadãos e parte de uma sociedade que gera cultura.
“Belém é muito aberta as intervenções, sejam elas artísticas, históricas ou urbanísticas. o aterramento do rio para dar lugar a Boulevard Castilho França é uma intervenção, o monumento do general Gurjão na Praça Dom Pedro II é uma intervenção da mesma maneira que placas indicativas dos locais onde existiu tortura em Belém é uma intervenção”, acrescenta o historiador e fotografo.
O curso “A mercê da memória” possui carga horária de 6 horas, sendo realizado sábado das 15 às 18h e domingo das 9h às 12h, no Fórum Landi. “Qualquer pessoa pode fazer a oficina. De celulares a câmeras mais sofisticadas podem ser usadas, bastando ser própria, e o único resultado previsto é ver Belém de uma forma diferente”, finaliza Pinho.
Um pouco de percurso
Formado em História pela UFPA. Começou a fotografar nas oficinas da Fotoativa. Participou do Salão Arte Pará como convidado, ganhou prêmio do Estado no Salão da Vida, foi contemplado pela Bolsa de Pesquisa e Criação Artística do IAP (Instituto de Arte do Estado do Pará) com o projeto Murografia. Participou de coletivas na França, Bélgica. Suas obras estão nos acervos da Fundação Tancredo Neves em Belém e Foto-arte de Brasília. Em 2007 teve seu vídeoarte PAI exibido no festival Guarnicê. Entre 2006 e 2011, fez parte da diretoria da Associação Fotoativa como secretário executivo, vice presidente e presidente.
Desenvolveu e coordenou jornadas fotográficas, cursos, criou editais de incentivos a áudio visuais e planejou e executou o projeto “Ver-te Belém Histórica”, projeto premiado pelo edital do Ministério da Cultura. Na sua gestão a Associação fotoativa executou duas versões consecutivas do projeto Pontos de Cultura do governo federal, a convite do IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional. É mestrando em Arte e cultura na Unama (Universidade da Amazônia). (Diário do Pará, com assessoria)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar